Crítica | Papillon (2018)

Papillon de Franklin J. Shaffner é um clássico praticamente intocável. As atuações de Steve McQueen, Dustin Hoffman e o texto de Dalton Trumbo dão a obra um caráter diferenciado, resultando num filme que mostra performances muito boas e claro uma mensagem nas entrelinhas muito forte. Quando anunciaram uma nova versão do livro de Henri Charrière , com Charlie Hunman vivendo o personagem título, muito se temeu, e o temor não foi à toa.

Este novo Papillon é conduzido por Michael Noer, e mostra Hunman como um saqueador de diamantes, que é acusado de ter assassinado um homem. Nesta versão , o causo não é dito e sim mostrado em tela, o que poderia ser algo positivo, mas que aqui soa ofensivo de tão mastigado e expositivo que é. Tal qual o material literário é mostrado o flagelo dos presos que são levados até a Guiana Francesa como prisioneiros da França , e Papi (sim, as pessoas o chamam assim..) conhece Dega (Rami Malek), um falsário rico que é bem frágil fisicamente. Em prol de tentar fugir, surge um acordo, o mais forte protegeria o mais fraco, e o outro bancaria os custos de sua fuga.

Noer tenta fazer uma história diferente do clássico setentista, e a atmosfera claramente é diferente. A ideia do filme não é fazer um comentário político como foi o da época da Guerra Fria. Se prosseguisse somente nesse toada, o saldo poderia ser positivo, mas em alguns pontos tenta-se reformular cenas clássicas, e na maior parte delas o esforço soa fútil demais.

Ao menos , Hunman tem um bom desempenho. Quando ele começou fazendo Sons of Anarchy foi bastante criticado por parecer inexpressivo, mas ao poucos melhorou e por ser esse um produto de época, a associação com Rei Arthur é quase automática, em especial pelas primeira cenas, como Papillon ainda livre, mas logo seu desempenho faz melhorar a sensação de vê-lo em tela. Malek também tem um desempenho razoável, o grande problema é que o o roteiro de Aaron Guzikowski produz poucos momentos de inteiração onde o espectador consiga realmente se importar com o que ocorre com os prisioneiros, mesmo como todo o sofrimento que passam. Incrivelmente um filme de mais quarenta anos consegue estabelecer um visual muito mais crível com  a realidade de prisioneiros em condições paupérrimas do que uma produção atual. Tudo é limpo demais, nesta versão e a apreciação dele faz sentir que falta identidade.

Os últimos momentos tem uma brilho um pouco maior, visto que as partes que mostram o protagonista vivendo na solitária servem para Charlie Hunman justificar o alto cachê que recebeu, mas o sentimentalismo barato e sensacionalista, com o ex prisioneiro indo na direção de um editor para contar sua história é forçada de uma maneira quase ofensiva. A direção de Noer até tenta fazer o longa soar mais hermético, mas o texto que lhe foi entregue não permitia muita ousadia.

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