Crítica | Para Sempre Chape

A tragédia com o time da Chapecoense de Santa Catarina mexeu com muitas pessoas ligadas ao futebol, inclusive, esse que vos fala. Lembro como foi aquele dia para mim, dois amigos jornalistas morreram naquele acidente, assim como ex-jogadores do meu time, além de Caio Junior,um sujeito que tive o prazer de conhecer. O incidente da queda do avião que levava o time e equipes de imprensa até Medellin para o jogo da final contra o Atletico Nacional pela Copa Sul-Americana é o epicentro de Para Sempre Chape, documentário de Luis Ara.

A pequena cidade de Chapecó abrigava o clube desde 1973, e o fato de ser essa uma zona urbana pequena fazia com que atletas, membros do clube e cidadãos comuns fossem muito próximos. O filme se dedica a falar dos primórdios do clube e dos campeonatos estaduais que disputava. O fato da cidade ser isolada facilitou a criação de um time, já que nenhum clube grande tinha qualquer distância pequena dali, e em 77 eles já foram campeões catarinenses, mesmo sem dinheiro, estrutura ou qualquer coisa que o valha.

Já na parte moderna do clube, a Chapecoense participou da primeira Série D disputada no Brasil em 2009, e subiu. Depois de idas e vindas, foi até a série A e ali começou uma trajetória bonita e árdua, de um time pequeno e muito amado pela gente de sua cidade. Nesses momentos já se ouve um nome nas narrações, de Bruno Rangel, um dos artilheiros do clube, atleta que marcou alguns dos muitos gols e  que estava no tal voo.

Há entrevistas com Raphael Henzel, o lateral Alan Ruschel, o zagueiro Neto, e o goleiro Jackson Folman, que estavam também na aeronave, e as declarações deles vão na direção da religião, curiosamente, dizendo normalmente que foi Deus que os ajudou a sobreviver, e que parecia ter ação do destino até na parte do avião onde ficaram, em especial Ruschel e Folman que sentaram um do lado do outro. Apegos ou desapegos a religião à parte, para os que estavam no voo o acaso parecia ser algo importante para a sobrevivência, uma vez que miraculosamente esses sobreviveram a queda do criminoso ato da companhia aérea que foi contratada para o translado.

O filme é protocolar, mostra os depoimentos mais famosos, se dedica a relembrar das pessoas que morreram. O documentarista quis claramente prestar reverência ao time, aos que se foram e aos que ficaram, e isso por si só é muito meritoso, pois o registro em cinema é muito duradouro, e certamente estará para o resto da vida dos herdeiros de cada um ali ver e rever.

Apesar de mostrar o choro de José Serra, ministro das relações exteriores à época e um sujeito cuja sinceridade é pra lá de discutível, toda a parte passada na Colômbia é carregada de sentimentalismo, o que não é demérito algum, já que o intuito do filme é deixar marcado o quão triste foi todo o evento. Não há preocupação em tentar desvendar os descuidos que a companhia aérea teve e isso se mostra uma decisão acertada, uma vez que dificilmente um único filme conseguiria tratar de questão tão complexa ao mesmo tempo em que tenta ser solidário a quem ali sofreu ali.  A escolha de Ara e sua equipe é muito acertada e Para Sempre Chape apesar de não fugir do comum em matéria de cinema acerta no tom que propõe.

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