Crítica | Para Ter Onde Ir

Road movie de proposta simples e abordagem direta, Para Ter Onde Ir é um longa metragem de Jorane Castro focado na vivência feminina, mostrando três mulheres viajando pelo Brasil, em direção ao norte do país, a bordo de um carro que serve não só de veículo para a mudança de suas vidas, mas também como lugar onde repousam suas mágoas, seus sonhos não alcançados e suas frustrações .

Eva (Lorena Lobato), é uma mulher mais velha e crítica; Melina (Ane Oliveira), uma mulher livre, que procura o amor de sua vida; enquanto Keithylennye (Keila Gentil), tenta se reencontrar após abrir mão do sonho de ser dançarina. A conversa que as três têm a bordo do automóvel evidenciam o quão diferente e diverso é o universo em que cada uma delas vive, e o quanto mesmo sendo tão distantes as realidades, boa parte dos problemas delas é bastante comum.

A câmera de Castro normalmente flagra a motorista que guia o carro, muito aproximada da atriz que a pilota, tornando assim espectador e personagem em seres forçosamente íntimos. Com as outras personagens há outras formas de aproximar público e essas mulheres, e normalmente isso ocorre mostrando o cotidiano de cada uma, como elas gastam o tempo que dispõem na viagem.

A estética naturalista e abordagem com poucos diálogos dão ao filme uma aura de veracidade que em alguns momentos funciona e em outros nem tanto, já que não aparenta ser tão natural, em especial quando a câmera acompanha Eva, detentora dos momentos mais artificiais do filme. Mesmo que peque um pouco na mistura entre momentos mais diretos e os lúdicos, Para Ter Onde Ir é um exercício inteligente de exploração de drama, mostrando que a vida pode ser poética mesmo quando é agridoce.

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