Cinema

Crítica | Playmobil: O Filme

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Quem nasceu ou foi criança durante a década de 1980 deve se lembrar com bastante nostalgia de dos bonecos Playmobil (ou ao menos se lembra de ter brincado com alguns desses na casa daquele vizinho que tinha os brinquedos mais descolados). Desde então, a marca ficou meio que esquecida em meio a gigantes do mercado com licenças de produtos com maior apelo midiático, como Playskool/Hasbro e sua linha Marvel, Imaginext/Mattel com seus diversos playsets da DC e uma variada linha de produtos do Batman, e a gigantesca Lego, que tem licenciado em seu catálogo aproximadamente tudo que existe. Sendo assim, com o sucesso dos filmes baseados nos bloquinhos de montar da Lego, talvez fosse uma boa ideia para a Playmobil ter um filme que desse um upgrade nas vendas de seus bonecos e cenários.

Com uma produção complicada, entre adiamentos de data de lançamento, troca de estúdios e falência de distribuidora, Playmobil - O filme chega aos trancos e barrancos aos cinemas em dezembro de 2019 e não decepciona quem já imaginava que seria um filme fraco. Com um roteiro clichê e desenvolvimento da trama totalmente previsível, o filme sequer consegue acertar no marketing, já que a marca Playmobil sequer aparece durante suas 1h e 50 min de duração. Em um filme que funciona como um grande comercial de brinquedo isso é bastante estranho, por vários motivos, sendo o principal a dificuldade de associação por parte do público infantil. O próprio design dos personagens lembra muito pouco os bonecos da marca, principalmente devido as expressões faciais e os olhos, muito diferentes dos brinquedos.

O filme conta a história da jovem Marla (Anya Taylor-Joy) e seu irmão caçula Charlie (Ryan S. Hill aos seis anos e Gabriel Bateman aos dez). A garota sonhava em viajar e conhecer o mundo, enquanto brincava com seu irmão com os bonecos genéricos de vikings e centuriões romanos, quando uma tragédia interrompe seus projetos futuros e ela se vê obrigada a tomar as rédeas da própria vida muito cedo, além de ter que criar Charlie sozinha. Isso faz com que Marla tenha muito cedo um peso nas costas que tira dela toda a alegria de viver, enquanto Charlie ainda cobra pelas aventuras que vivia com a irmã mais velha. Ao tentar se reconectar com o irmão, os dois são transportados ao mundo mágico de suas brincadeiras de infância, e são transformados nos bonecos com mãos de pinça e pernas pouco ou nada articuladas. Aliás, essa é uma das inconsistências do filme que chegam a incomodar: Marla tem muita dificuldade para andar devido às pernas de Playmobil (que têm movimento muito limitado), mas isso serve apenas como uma gag no começo de sua jornada: poucos minutos depois ela já está correndo feito uma maratonista.

Ao contrário de Marla, que surge como uma boneca comum no mundo dos brinquedos, Charlie se encarna em um guerreiro bárbaro, extremamente forte e com visual "maneiro". Em uma luta entre viking e piratas, Charlie acaba sendo separado de sua irmã, que inicia uma espécie de road trip para encontrá-lo novamente e assim voltar para a casa. Com isso, ambos passam por diversos cenários de brinquedo que variam desde pré-história até faroeste e Império Romano. No meio do caminho encontram alguns personagens interessantes, como Del (Jim Gaffigan), um entregador de "feno mágico" que aceita ajudar em troca de moedas de ouro de brinquedo, Rex Dasher (Daniel Radcliffe), um James Bond genérico, a Fada Madrinha (interpretada por Meghan Trainor) e o imperador romano interpretado por Adam Lambert. Ao final, Marla aprende uma importante lição sobre a vida e assim pode voltar pra casa com seu irmão (como em centenas de outro filmes parecidos).

O filme dirigido por Lino DiSalvo não empolga, não se mantém consistente e chega a ser entediante durante o segundo ato, além de ter um final bastante previsível e clichê. Seus momentos de humor variam bastante entre o pastelão e piadas mais adultas (que "feno mágico" é aquele que deixa quem o come mais alegre e purpurinado?), e o roteiro esquecível não traz grandes surpresas. Talvez seja uma boa opção pra distrair as crianças no período de férias, mas apenas porque os pequenos assistem a qualquer coisa mesmo.

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Dan Cruz

Professor de História, marido, pai e Mestre dos Calabouços nas horas vagas. Viciado em quadrinhos e RPG, acredita que o Superman existe e sonha em ser um Lanterna Verde, pra combinar com sua camisa do Palmeiras. Gosta de sorvete de pistache, mas sempre esquece e acaba comprando de chocolate.
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