Cinema

[Crítica] Profissão de Risco

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The Bag Man

David Grovic traz à luz o seu primeiro longa-metragem. Profissão de Risco (seu nome original é The Bag Man) é um filme baseado em um antigo roteiro do ator James Russo — que estrelou Inimigos Públicos e Donnie Brasco, escreveu A Caixa, além de ficar algum tempo na geladeira  mostrando a história de Jack, protagonizado por John Cusack, um sujeito comum que se infiltra em um trabalho sujo, o de entregar uma encomenda para o gângster Dragna, vivido por Robert DeNiro.

Os aspectos escusos da vida de Jack são prenunciados pelos cenários por onde ele passa, sempre imundos, mal iluminados, envoltos de fornicação e de outros pecados de cunho sexual. Sua vida é uma imundície tamanha que, antes dos primeiros atos violentos que comete, prepara seu revólver com movimentos semelhantes ao ato da masturbação. Há um contraste entre o cotidiano do protagonista e do seu mandante, pois Dragna é um homem bruto, talhado pelos atos que praticou durante toda a vida. A atitude do chefão também destoa de seu cenário  uma mansão belíssima, divergente e muito da face sangrando da bela mulher que este emprega. Em comum entre os dois há a vida marginal e a selvageria dos seus modus operandi; de dissemelhante há a posição social, e, claro, a discussão sobre o que há dentro da maleta.

No decorrer da trama, Jack acredita que seu contratante tem planos escusos para ele, e que os sujeitos que tentam matá-lo estão no encalço a mando de Dragna. O caminho do personagem é cruzado pelo da garota de programa Rivka (da brasileira Rebecca Da Costa), que pede a ajuda do homem e desperta nele a atitude do "bom anti-herói"  aquele que pratica o mal somente com quem o merece. Os dois tornam-se "sócios", de certo modo, tendo suas vidas unidas por uma curiosa necessidade. Os diálogos entre os dois começam bastante tensos, mas tornam-se cada vez mais engraçados, apesar do humor não predominar na fita.

A violência gráfica é um ponto primordial do filme. Tudo gira em torno disso, especialmente nas cenas de agressões às mulheres, o que pode gerar um sem número de críticas do espectador mais conservador à misoginia constatada nas ações dos personagens. Não há para quem torcer, o caráter de praticamente todos os personagens é presenteado por alguma corruptela.

São discutidas, o tempo todo, as relações humanas e a necessidade da sinceridade nessas interações, e, claro, a autoconfiança quase nunca presente na vida de Jack, mesmo com seu histórico de trabalhos muitíssimos bem feitos. Seu talento é também a sua maldição, o que o faz se distanciar do oásis de tranquilidade que tanto busca para si e da paz que não consegue alcançar, apesar de todos os seus esforços. Profissão de Risco é uma fita divertida, cujo conteúdo é imerso no característico humor negro, elevando o conceito de mind game à enésima potência. Seu roteiro brinca e perverte os clichês de filmes de perseguição, de máfia e do gênero policial, tudo de uma única vez.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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