Cinema

Crítica | Quadra Livre

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Do mesmo diretor do especial 30 for 30 Once Brothers que abordava os percalços da geração iugoslava de basquete, Quadra Livre se propõe mostrar um cenário e pessoas bastante marginalizadas, focando em um time da penitenciária de San Quentin. Michael Tolajian começa seu filme mostrando os presos se divertindo, em meio a um momento de recreação, onde um alarme soa e interrompe os jogos esportivos, para exemplificar como é o cotidiano dos encarcerados.

O filme demora um tempo para ter uma fala direta, e quando ela ocorre é com o guarda Sam Robinson, que ambienta o público sobre o funcionamento da prisão de segurança máxima que serve de cenário para o filme. O time de basquete dos detentos é muito bem desenvolvido, e aqui se destaca um programa de inclusão protagonizado pela franquia da NBA, o Golden State  Warriors, que cede uniformes e dá certo suporte aos detentos, como meio de tentar reinseri-los na socieade.  Essa parceira com os Warriors é promissora, envolve inclusive a possibilidade de realizar testes para o time B da franquia. Há bons jogadores ali, e até mesmo as taças da NBA chegam aos prisioneiros, para que eles se sintam parte da comunidade do time de Oakland/San Francisco.

Os personagens investigados pela câmera são muitos, e demonstra quão tolo é o pensamento daqueles que acreditam que criminosos são monstros, o pensamento maniqueísta é facilmente driblado, e o filme se exime de qualquer julgamento, apresentando pessoas complexas, repleta de defeitos e qualidades, que eventualmente ultrapassaram um limite moral.

Os entrevistados para o documentário mostram uma grande paixão pelo esporte, e alguns realmente parecem ter talento para talvez ter chegado às categorias superiores, no entanto, se vê privado de sua liberdade em um prisão de segurança máxima por conta do crime que cometeu. O filme tem um caráter semelhante ao de O Efeito Carter, as entrevistas são francas e bem enquadradas, e os últimos 25 minutos são eletrizantes ao remontar a oportunidade de um deles realizar um teste no GS Warriors. O final de Quadra Livre mesmo sem ser tão doce quanto se espera, carrega uma mensagem positiva, de inclusão e repleta de um olhar esperançoso sobre a sociedade.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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