Crítica | Rambo III

John Rambo é um dos principais personagens da cultura pop mundial. Vivido pelo astro Sylvester Stallone, o personagem caiu nas graças do público logo no primeiro filme, Rambo: Programado Para Matar, que conta a história de um boina verde que voltou à América após o fiasco da Guerra do Vietnã. Rambo é praticamente um andarilho e, confundido com um vagabundo, acaba por sofrer nas mãos da polícia de uma pequena cidade. O soldado, usando de suas habilidades de guerra, acaba caçando os policiais com maneiras muito primitivas, chamando a atenção de seu antigo companheiro, o Coronel Trautman, vivido por Richard Crenna. O filme é até considerado um drama (dos bons), o que difere do segundo e terceiro filme, onde o soldado volta ao campo, primeiro para libertar prisioneiros de guerra e segundo para salvar o próprio Coronel Trautman.

À época de seu lançamento, Rambo III foi considerado pelo Guiness Book, o livro dos recordes, o filme mais violento já feito, dada a contagem de mortes, explosões e atos e violência. Contudo, a produção passou por diversos problemas, dentre eles a demissão do diretor Russel Mulcahy e de boa parte da equipe. Mulcahy estava em alta por ser o responsável pelo clássico Highlander: O Guerreiro Imortal. Apesar dos problemas na produção, o diretor de segunda unidade Peter MacDonald assumiu a bronca, fazendo com que Rambo III fosse sua primeira empreitada na cadeira de direção.

Como mencionado, o Coronel Trautman vai até John Rambo para pedir ajuda numa missão para intervir a favor do povo do Afeganistão que está sofrendo nas mãos dos russos. Vale destacar que o episódio de fato ocorreu, quando os Estados Unidos, secretamente ajudaram o povo afegão com o fornecimento de armamento. Rambo nega o pedido de seu amigo que parte sozinho para a missão, sendo capturado por um tirano coronel soviético, não restando outra alternativa ao soldado, senão salvar seu mentor e amigo. Fica registrada aqui a “ivandragonização” dos personagens soviéticos, que assim como em Rocky IV, são extremamente caricatos.

MacDonald claramente tenta mostrar um lado mais humano de Rambo, fazendo-o interagir com o povo que está assolado pela guerra. Os momentos de humanidade presente no personagem procuram ser mais extensos do que aquele momento em que o vemos sentindo um certo carinho uma informante e que morre pouco tempo depois no segundo filme. Só que, talvez por força do personagem, o Rambo que melhor funciona em tela é o soldado implacável.

Assim como nos dois primeiros filmes, vemos o personagem passando por muitos apuros e ganhando novas cicatrizes e por que não, fazendo seus próprios curativos? Aliás, esse é o ponto alto do filme, quando um detrito de uma explosão atinge Rambo, que fica com o artefato atravessado em sua barriga. Numa cena que faz com que os mais durões roam as unhas, o combatente retira o artefato, despeja pólvora no buraco do ferimento e ateia fogo em si mesmo para estancar o sangramento. Sem mais.

Mas com uma história interessante e que pega emprestado um fato que realmente aconteceu, o filme não empolga. As sequências de ação que eram para ser a especialidade do diretor não emplacam e o que se vê é um amontoado de cenas e cenários que parecem não se encaixar, principalmente no segundo e terceiro ato. O filme foi recebido pela crítica como uma bomba e para se ter noção do nível, Sylvester Stallone ganhou o Framboesa de Ouro como pior ator. O filme teria sido uma triste despedida para o personagem se Rambo IV não tivesse sido feito anos depois.

Um fato curioso é que, em seu final, o filme é dedicado ao povo do Afeganistão, sendo que, anos depois a película passou a ser ainda mais odiada após os horríveis ataques terroristas ocorridos em 11 de setembro de 2001, liderados por Osama Bin Laden.

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