Cinema

Crítica | Requiem For The Big East

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Normalmente  os documentários esportivos, sobretudo os da Espn e 30 for 30, se dedicam a estudar um fenômeno, time, atleta ou período vitorioso de uma dinastia, quando não, um fenômeno universitário, treinador ou algo que o valha. Requiem for the Big East avalia o crescimento dos torneios de uma região, chamado Big East que compreende o setor nordeste dos Estados Unidos, sendo ela uma competição do college (ou nível universitário) de basquete. O nordeste dos EUA era como um deserto para o basquetebol, sobretudo em níveis amadores. Em alguns pontos da historia isso mudou, ligeiramente ou de maneira praticamente nula, uma das exceções a isso foi em 1973 com o time de Providence que chegou ao Final Four da NCAA, mas a (dura) realidade da conferencia era a das arenas vazias, pois enquanto os estádios tinham lotação superior a mil pessoas em jogos menos vistos, o nordeste tinha 400 pessoas em média.

O paradigma foi mudando com a Espn  e dado quem produz o longa de Ezra Edelman , esse é um bom comentário metalinguístico. A abordagem do assunto aliás é bem solta e divertida esse é um documentário bem comprometido com o humor e com o lúdico.

Parte da origem a não popularidade de Big East foram os escândalos esportivos nos anos 50, acusações de manipulação de resultados, compra de direitos e ate corrupção com arbitragem, então trazer de volta era difícil. Mesmo quando St John University ganhou as capas de New York Post, havia resistência, e isso afastava possíveis astros, a exemplo de Kareem Abdul Jabbar a época, ainda nominado Lew Alcindor optar por UCLA ao invés de faculdades de Nova York

A ascensão meteórica em 79 com a ascensão de Patrick Ewing em Georgetown, com Chris Mullen e Ed Pickney é mostrada de maneira bem parcimoniosa, a construção do entorno e da carência dos torcedores é muito bem construído. Com menos de uma hora para acabar (a duração é de mais de 100 minutos) os feitos e enterradas de Ewing são mostradas em toda sua potência física, e até cultural.

A confusão da narrativa é um bom comentário sobre a dificuldade da conferencia em manter os mesmos competidores ano a ano. Os times das universidades tinham uma instabilidade grande, e isso ocorria por inseguranças de investidores, da universidades que faziam parte e também de níveis de organização.

O narrador, Giancarlo Esposito é conhecido por obras dramatúrgicas fortes como Breaking Bad e The Get Down, mas mesmo com uma estrela contando a historia, o que mais impressiona no especial é a historia. O roteiro em alguns pontos se torna confuso, uma vez que ele alude muitos meandros e detalhes diferentes, e não há uma linearidade a ser seguida ou respeitada, já que é mais difícil documentar o que há com uma conferencia do que a um time, franquia ou mesmo torneio.

Ao final, Requiem For The Big East consegue expressar bem toda a mitologia antiga e o quão injusto pode ser encarar a atual encarnação da Big East como uma extensão da antiga, uma vez que foi a saída das faculdades católicas que ajudou a sepultar a antigo modo de jogo e uso, além é claro da interferência da televisão. É sui generis que tudo isso seja dito dentro do programa televisivo da ESPN, fechando assim o ciclo metalinguístico que já era preconizado no inicio do filme de Edelman.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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