Cinema

[Crítica] Rita Cadillac - A Lady do Povo

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Rita Cadillac - A Lady Do Povo - capa - blu ray

Famosa na década de 80 ao se tornar uma das dançarinas do programa Chacrinha, Rita Cadillac se tornou um ícone por suas curvas que a transformaram em símbolo nacional. Destacou-se como cantora de um único hit, É Bom Para o Moral e, na década seguinte, seguiu sua trajetória como Rainha dos Detentos, realizando show em presídios. Mesmo quem desconhece sua carreira, reconhece Rita pelos seus atributos e seu pomposo nome artístico.

Dirigido por Toni Venturini, Rita Cadillac – A Lady do Povo revisita uma das grandes figuras populares da década de 80. A história de Rita de Cássia é narrada sem nenhuma ficção, apoiando-se na sinceridade e no carisma da dançarina para desmitificar a figura popular e engradecer a mulher que a sustentou.

Recontando sua trajetória enquanto retorna ao bairro da infância, Rita relembra momentos bons e difíceis da juventude e a guinada de sua vida devido a sua beleza. A honestidade em identificar seu sucesso é impressionante. Não nega a beleza e a força de seu derrière, responsável pela projeção nacional. Se hoje o apelo erótico é comum, a exposição da sensualidade na época era uma válvula de escape devido a uma sociedade opressora, um misto de apelo sexual a uma inocência potencializada pelas jovens dançarinas.

Os depoimentos apresentados são de fãs, personagens e amigos que passaram por sua carreira, como o doutor Drauzio Varella, um dos médicos da prisão carcerária do Carandiru a qual assistiu in loco a força de Cadillac ao se apresentar sem medo para os prisioneiros que a viam como uma musa inspiradora. A fama e o carisma são traduzidos como um hipnotismo característico, aponta Varella, de uma grande figura.

Como sua autora, não há pudor nesta história nem mesmo assuntos deixados de lado. Reinventando-se a cada década para se sustentar, a figura trabalhadora emerge e discute a velhice, os percalços da fama e a motivação para a breve carreira de filmes adultos.

Formal em sua composição seguindo uma linha cronológica com depoimentos, imagens e registros da época, o documentário se destaca pela força desta trajetória representando bem a força de renovação de uma personalidade simples mas, acima de tudo, carismática e batalhadora.

Thiago Augusto Corrêa

Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e música. Formado em Letras, escritor e metido a sabichão.
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