Crítica | Robocop 2

Robocop 2, continuação menos inspirada de Robocop: O Policial do Futuro, começa emulando características do primeiro, com comerciais que visam defender o povo da ultra violência, mas que são quase tão agressivos quanto os modos das gangues que atacam a cidade. Irvin Kershner – o mesmo que conduziu O Império Contra Ataca – traz a luz uma criminalidade menos estilosa, ao mesmo tempo em que ela aparenta ser mais normal, no sentido de não ser irônica, ela também é mais caricatural, no sentido de aparentar se compor basicamente pelos latinos que normalmente são relegados ao papel de vilões maniqueístas nos filmes de Hollywood.

Peter Weller retorna ao papel principal, inclusive fazendo sua contra parte, Alex Murphy, em flashbacks, onde se percebe o peso dos anos sobre se rosto e calvície. O roteiro de Frank Miller e Walon Green tenciona mergulhar na origem do homem por trás da máquina. Esse começo reúne elementos de premissa muito promissores, e que aos poucos, são deixados de lado.

A OCP se mostra ainda mais maligna que no primeiro filmes, armando para que a polícia entre em greve, para fazer com que eles se endividem, para então conseguir comprar os direitos de proteção a Detroit, para enfim privatizar a cidade. Novas tentativas de substituir o policial de aço são feitas e todos os Robocop 2 são fracassados – talvez seja esse um comentário metalinguístico involuntário, referindo ao fato de não ter mais o diretor holandês nessa obra também. O modo como os opositores encontram para hackear herói é meio pueril, assim como a idéia de ter um vilão infantilizado como chefe do crime organizado. A questão de tomada de controle do vigilante foi referenciada levamente, na versão de 2014, o famigerado Robocop do brasileiro José Padilha, ainda que lá a prerrogativa fosse mais adulta que aqui.

A cena em que a medula e olhos de Cain (Tom Noonan) estão presos ao seu cérebro, e são mostrados fora do corpo, como parte da engrenagem da nova encarnação de Robocop 2 é absolutamente esdrúxula. O nonsense não chega nem perto de ser aceitável, é só bobo, diferente do que Paul Verhoeven propunha antes. A nova face da OCP, liderada por Surgeon General (John Ingle), Holzgang (Jeff McCarthy) e assessorada por Donald Johnson (Felton Perry), que estava no primeiro filme é bem diferente dessas mesmas contrapartes no filme original e parecem um trio de patetas, que querem lucrar desesperadamente mas não sabem como fazer isso.

A luta final é terrível, o stop motion é mal utilizado e burrifica ainda mais o roteiro que já não era grandes coisas. Essa cena rivaliza com uma outra, que mostra as partes de Robocop separadas entre si como a mais ridícula de toda a franquia, mesmo considerando que a parte 3 é pior, essa tem muito mais momentos de pura tristeza. A ideia de renovar a ganância OCP  soa como mera copia do episodio original com a diferença básica de que a maior parte dos conceitos aqui são mal pensados, simplesmente não encaixam, por serem só versões pioradas do que já foi explorado antes. Robocop 2 poderia ser maior, fundamentalmente se desse vazão aos novos questionamentos, como a tentativa de Murphy em se aproximar da sua família, mas ao invés disso investe em ser mais um produto de ação genérico.

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