Crítica | Rosa de Esperança

Lançado em 1942, sob o nome original Mrs Miniver em atenção a personagem de Gree Garson, Kay Miniver, o drama de guerra Rosa de Esperança começa tímido, após um letreiro que situa o espectador no cenário político da Inglaterra, e que discorre um pouco sobre a historia da família de classe media que será mostrada, nos idos de 1939.

O longa-metragem de William Wyler mostra o tal clã lidando com a imposição do famigerado “esforço de guerra”, que consiste basicamente na mobilização de pessoas comuns para tarefas de apoio bélico. Kay é mostrada como uma mulher comum, de afazeres e interesses que não fogem do ordeiro, ela é uma mulher bem comum, ela mora com seu marido Clem (Walter Pidgeon) e seus dias não vão muito além das tarefas caseiras. O filme é lento, visa  explanar a normalidade do cotidiano inglês, um povo que aquela altura do século XX era bastante pacifico e formal.

O roteiro adapta as tiras de jornais homônimas de Jan Struther, e há algumas diferenças dramáticas entre esta versão e a original. Os Miniver não são tão ricos, mas ainda assim moram em uma casa grande, chamada Starling, perto  de Tâmisa, em um confortável subúrbio inglês. Surpreende a escolha de Wyler por mostrar múltiplos cenários, para exemplificar bem como é a rotina das pessoas de diferentes classes na Grã-Bretanha, em especial antes dos ataques do Eixo. É como se o script aludisse para o quão maléfica e amaldiçoada é a intervenção dos nazistas e do III Reich, que causaram em corações e mentes muita raiva, ressentimento, para além até dos preconceitos defendidos por eles, uma vez que a postura hiper agressiva e ofensiva mexeu até com pessoas que não estavam no escopo judeu. O extremismo fascista interfere na vida de absolutamente todos.

A guerra só é dita como de fato acontecendo com aproximadamente um quarto de filme, e o clima e atmosfera mudam por completo. Até os momentos de descontração são comedidos, em lugares fechados, com as pessoas festejando, mas com seus uniformes e trajes formais. Os outros homens, adentram a historia como pessoas comuns, e logo depois, aparecem maltrapilhos, vindos da guerra, e incrivelmente não há tanto lamento pela chegada deles assim, mal alimentados, com perda de peso, claramente passando por necessidades pós chegada do campo de guerra.

Os vinte minutos finais mostram Miniver vivendo a desesperança de ter sua terra atacada por bombardeios aéreos, e é nesse clímax que Wyler justifica as premiações que ganhou, pois em meio ao cinema hollywoodiano dos anos quarenta, conseguir conduzir cenas com aviões não é tarefa das mais fáceis, ao contrário.

O diretor e a produção tiveram muita coragem, em retratar uma historia de orçamento estadunidense, situada na Europa na época em que o conflito mundial estava no auge. Não há concessões aos nazistas, apesar de não haver um confronto direto com os nazistas. O culto cristão, na igreja que sofreu com os ataques alemães serve de exemplo, e certamente foi por conta desses momentos que o filme se tornou tão adulado e louvado em sua época, fazendo valer um elogio de Winston Churchill, que dizia que esse era mais efetivo na guerra que uma frota de destróieres, e dada seu caráter denunciativo, ele de fato tinha razão.

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