Crítica | Rota de Fuga 2: Hades

Após Rota de Fuga ter tido um sucesso moderado, mas tão saboroso quanto um bolo feito por  dois chefs bem experientes, Sylvester Stallone se sentiu a vontade para idealizar um novo episódio para a franquia, com praticamente cinco anos de atraso. Batizado no Brasil com o sugestivo nome Plano de Fuga 2: Hades, o longa mostra novamente Ray Breslin (Sly) como responsável por testar a eficiência das penitenciárias dos Estados Unidos, em atenção especial das de segurança máxima, e uma nova missão é dada a ele, a de entrar num local conhecido apenas como Zoológico, a fim de ajudar um colega seu a escapar de lá.

Antes de apresentar essa versão dos fatos, é mostrado um sujeito refém, sendo maltratado, espancado e trancafiado, em um cenário sujo, que tenta parecer sério mas que soa um bocado mambembe. É nesse curto espaço de tempo que ocorre uma cena de briga bem legal, com Xiaoming Huang, que interpreta Shu, mas mesmo as coreografias de luta sendo bem legais, se perdem em meio a cenas de fumaça, que fazem perguntar se objetivo não era exatamente desviar o foco de uma das poucas coisas boas. Sly/Ray só aparece com quase dez minutos de filme (que aliás, é bem curto, com só 93 minutos), basicamente para discutir com um dos seus funcionários, que por sua vez, fracassou em seu trabalho.

O empregado que está preso no tal “zoológico” (no original, Hades) é Shu, o preso número 1764, e esse lugar é misterioso, possuindo lutas ao clandestinas entre os detentos, bem ao estilo rinha de galo. O conceito é sofisticado demais para um produto tão barato e genérico como isso, ainda mais se levar em conta seu diretor Steven C. Miller, conhecido por fazer filmes pouco comentados como Gritos do Além, Natal Sangrento, além de três filmes recentes com Bruce Willis, Operação Resgate, Assalto Ao Poder, Caçada Brutal sendo um mais genérico que o outro.

Outro grave problema da história mora no fato de retratar personagens secundários como estereótipos raciais é algo normalíssimo, embora completamente incorreto, tanto politicamente como em termos criativos, a abordagem aqui aparentemente já foi vista e revista em dezenas de fitas de ação. A participação de Stallone é bem pequena nesse episódio da franquia, há mais espaço para Shu, para o nerd Hush (feito por 50 Cent, que aqui prefere ser chamado de Curtis Jackson), Luke (Jesse Metcalife) e Jaspar Kimbral (Wes Chatham). Mesmo Jaime King aparece quase tanto quanto ele, fazendo a secretária  Abigail, e parte dela a indicação de um profissional que poderia ajudar eles, Trent Derarosa, interpretado por Dave Baustista, o Drax de Guardiões das Galáxias, que funciona como o substituto de Schwarzanegger. Ele aliás é bem mais badass e casca grossa que Ray, que aparentemente, se arrasta pelas paredes e chão, para dar conta de uns poucos capangas armados.

Plano de Fuga 2: Hades peca por quase não dar vazão a mitologia do primeiro e por soar infantil no pouco que tenta ousar e por ter batalhas contra inteligência artificial, pieguice que beira a literatura de auto ajuda e sub aproveitamento das estrelas, que estavam lá basicamente para angariar alguns fãs, que não veriam um filme tão bobo e tão desinteressante quanto esse caso não houvesse um grande astro por trás deles.

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