[Crítica] S. Darko – Um Conto de Donnie Darko

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Spin-off do clássico de Richard Kelly, Donnie Darko, lançado oito anos após o lançamento do mesmo, S. Darko: Um Conto de Donnie Darko se inicia com um letreiro explicando alguns dos eventos do filme anterior, para logo depois mostrar as mesmas planícies onde o Donnie de Jake Gylenhaal ficava, agora habitada por sua irmã Samantha, vivida pela mesma Daveigh Chase do primeiro filme, já crescida, com dezoito anos. A trama se passa com Samantha e sua amiga Corey (Briana Evigan) viajando para Los Angeles, quando eventos estranhos ocorrem com a menina.

A pretensão de ser uma continuação é ruim para o filme de Chris Fisher, uma vez que ela não possui nem de longe as mesmas qualidades de seu antecessor. Fisher emprega uma linguagem mais clean, parecida com as obras que costumava assinar. Seu repertório como diretor de TV em Cold Case, Person of Interest e Hawaii 5-0. A questão é que até nessas séries, o realizador tem bons momentos, e definitivamente não é o caso desta sequência.

O filme se passa em 1995, e remonta vários elementos do episódio original, contando as viagens no tempo, retornos ao paradoxo temporal, menções ao livro a Filosofia da Viagem no Tempo, contagem regressiva e até a fantasia de Frank que Donnie havia desenhado algumas vezes é reutilizada, ainda que fique confusa essa influência, já que pelo final de Donnie Darko não fica claro se os desenhos do garoto continham ou não as artes com a fantasia de coelho, especialmente após a mudança do paradoxo.

O problema é que os bons tentos do produto de Kelly não são reprisados. A fotografia é clara, não apresenta dubiedade e faz lembrar as fitas pornográficas soft-core antigas, dada a luz chapada que é empregada. Os efeitos especiais são terríveis e as atuações de todos os coadjuvantes beiram o ridículo. O catastrofismo do apocalipse é gratuito e o argumento é superficial. Jackson Rathbone, James Lafferty e Ed Westwick travam uma árdua batalha para se estabelecer como a pior das participações.

Ao menos os aspectos cinematográficos de S. Darko são constantes e regulares, com um nivelamento por baixo ocorrendo entre fotografia, figurino, edição, montagem, argumento, edição de som e tudo o mais. Nem a beleza de alguns membros do elenco salvam o produto final, resultando em um pobre caça-níquel, e que é muito justamente esquecido pelos fãs da franquia ou defenestrado por quem teve a coragem de assistir até o final.