Crítica | Salto no Vazio

Parceria na direção entre Cavi Borges e atriz Patricia Niedermeier, Salto no Vazio é um registro cinematográfico que faz vezes de ensaio fílmico, começando com cenas de extrema intimidade entre os diretores. A primeira cena de fato é a de um beijo entre os apaixonados, acompanhado de uma poesia, dita em off pela própria Patricia, onde se nota muita paixão em sua voz.

As viagens do casal de artistas servem como cenário para as falas de amor entre eles, pontuadas pela voz e/ou pelas imagens de Patricia se declarando de corpo e alma para o amor que promete ao seu par. É incrível como a forma e as falas do filme são simples e belas, combinando de uma maneira que só faria sentido realmente para a platéia que já desfrutou de um sentimento tão terno e puro quanto é o amor e a paixão.

As partes mais acertadas são as recitadas por Niedermeier e pelo ator Alexandre Varella, e incrivelmente o filme tem um ritmo muito bom, não fica enfadonho ou desinteressante, ao contrário, o espectador se sente preso a história mostrada nos pouco mais de 60 minutos desta obra.

Salto no Vazio tem um início um pouco superior ao seu final, mas consegue atingir um patamar de obra poética poucas vezes em filmes tão herméticos quanto o subgênero de filmes ensaísticos. É o capítulo um da Trilogia Filmes de Viagem mas independente de ser parte de uma série de longas ele funciona muito bem como obra solo, sendo bastante autossuficiente dentro da ideia de romantizar a saudade e a falta que um par faz ao outro.

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