Cinema

Crítica | Scooby!

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O longa, de Tony Cervone busca algo audacioso, não só recontar de maneira carismática a história de Scooby e sua turma, mas também dar uma gênese a iniciativa da Hanna-Barbera em um universo compartilhado de personagens, filmes e aventuras.

A história se passa na atualidade, mas resgata o passado de Scooby-Doo e Salsicha quando se conhecem e se tornam amigos. Este resgate é interessante, pois demonstra o rapaz como alguém solitário, que precisa de amigos. A partir dali começa uma amizade inesperada, baseada no velho clichê de amor incondicional entre um garoto e seu animal de estimação, com direito até a fantasia de Halloween, de Falcão Azul e Dinamite, o Bionicão, dois heróis da Hanna-Barbera, que são exemplos para a dupla.

Aos poucos, os outros personagens são introduzidos, e dá-se a ideia de que estariam juntos desde crianças. Visualmente, o filme acerta bastante, já que a animação mistura elementos de 2d e 3d de uma forma fluída. Há algum excesso com referências. O que realmente irrita é o excesso com piadas físicas, aparentemente as animações da Illumination deixaram um péssimo legado, de idiotização dramática,  presente em obras como Meu Malvado Favorito, e piorada e muito em Minions. Essa simplificação dramática é bastante vista aqui.

O que mais ajuda a descaracterizar a obra de Cervone, é que a turma que dirige a Máquina de Mistério são coadjuvantes no próprio longa de estréia. O universo da turma do Scooby Doo é tão rico que não precisa de outros elementos, pelo contrário, as outras encarnações de personagens deveriam ser reféns de si. Aqui há uma grande necessidade de iniciar algo maior, uma trama que envolva personagens que podem se misturar.

Se o filme não apelasse tanto para aparições de famosos, para referências a empresas que fazem sucesso ou para as próprias franquias da Warner, ainda daria para acreditar que seu intuito sempre foi o de entreter por meio do humor infantil, mas claramente não é. Talvez se o filme não tivesse tantas preocupações em ser o marco de uma iniciativa, poderia funcionar melhor como aventura escapista, como era os curtas de Joseph Hanna e Will Barbera.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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