[Crítica] Sete Homens e Um Destino (2016)

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Antoine Fuqua tem uma carreira cinematográfica é pautada basicamente em dramas policiais e de ação, alternando a qualidade em extremos, reunindo obras que normalmente variam em episódios interessantes do gênero e outros simplesmente execráveis. Após ter uma parceria com o criador de Sons of Anarchy Kurt Sutter, no roteiro do drama de boxe Nocaute, o diretor resolveu repetir a dobradinha com outro escritor de um programa bem sucedido, chamando o escritor de True Detective Nic Pizzollatto para redigir o argumento da nova versão de Sete Homens e um Destino.

Novamente a trama segue uma cidade do oeste dos Estados Unidos que é atacada por um tirano, sendo Bartholomew Bogue (Peter Sarsgaard) o atual facínora. Seu personagem é performático e imperialista, mostrando sua crueldade assim que põe os pés no vilarejo, tratam de assassinar os poucos homens que apresentam resistência aos seus domínios. Cabe a Emma Cullen (Haley Bennett) pedir o auxílio ao pistoleiro Sam Chisolm (Denzel Washington) para que resgate a dignidade do lugar. A partir daí, o sujeito reúne justiceiros em torno de si para combater a figura de ódio, que tem um fato no passado em comum com o cowboy negro.

As interações entre os heróis parece demais com o visto nos filmes da Marvel, no sentido de entregar um grupo repleto de alívios cômicos. O Josh Faraday de Chris Pratt é o principal dele, com o papel clássico do engraçado homem espirituoso e piadista, mas até Ethan Hawke e seu traumatizado Goodnight Robicheaux contém uma rotina de piadas, bem como o mexicano Vazquez (Manuel Garcia-Rulfo) e Jack Horne (Vincent D’Onofrio, mais uma vez inspirado). Essa pouca variação de arquétipos faz estranhar um pouco o tom sombrio da fotografia.

Não há pretensão de Fuqua em apresentar um faroeste sombrio, como A Proposta de John Hillcoat, mas há elementos claros de reverência a Os Imperdoáveis. Em comparação com o Sete Homens e Um Destino de John Sturges há uma melhor elaboração da química entre os justiceiros do oeste, desde a ligação entre eles até a motivação de cada um. Gasta-se um tempo demasiado nestes.

As cenas de ação tem o apuro comum aos produtos do diretor, repetindo com êxito o que fez sucesso em O Protetor. Os closes e variações rápidas de ângulos inseridas no final do longa são um diferencial, relembrando as obras mais famosas de Sergio Corbucci e Sergio Sollima, em especial Django e Sabata.  A nova versão de Sete Homens e Um Destino consegue soar interessante, apesar de todo o western exploitation recente, tendo boas sequências de ação e um ritmo interessante, não soando cansativo como o recente Django Livre e com um resgate de tema de vingança que remonta aos clássicos de gênero, além de deixar o aficionado pela trilha de Elmer Bernstein, no anúncio dos créditos.