Crítica | Sicário: Dia do Soldado

Sequências normalmente costumar ser filmes que tentam se valer da fórmula de seu antecessor exagerando ainda mais nos quesitos que antes deram certo. Sicário: Dia do Soldado tem um pouco disso, ainda que tenha uma coragem maior que Sicário: Terra de Ninguém, ao se assumir como um filme de ação sem grandes pretensões, de certa forma reprisando o exercício que já tinha ocorrido com Círculo de Fogo: A Revolta e Jurassic World: Reino Ameaçado, ainda que ambos tenham tido resultados diferentes em níveis de qualidade.

Na direção, Dennis Villeneuve dá lugar ao italiano Stefano Sollima, mais conhecido por ser filho de Sergio Sollima, antigo diretor de filmes de western spaghetti, como O Dia da Desforra. Sua carreira passou a chamar mais atenção após a direção de alguns shows de televisão, cuja abordagem tem como ponto importante a violência – é o caso de Gomorra e Suburra. Enquanto o primeiro roteiro de Taylor Sheridan dirigido por Villeneuve tinha uma certa sutileza e discrição em muitos pontos, Dia do Soldado é violentíssimo.

O longa começa mostrando o cotidiano do personagem Matt Graver, um agente do governo vivido por Josh Brolin que nesse início ostenta uma barba parecida com a que Jeff Bridges geralmente usa. Logo ele tira a pelugem do rosto, pois deveria conversar com os membros do governo americano, liderados por James Riley, feito por Mathew Modine em uma das suas mais caricatas interpretações nos últimos anos. A conversa, mega-expositiva, mostra que Graver é um dos sujeitos que suja as mãos pelo governo dos EUA, e isso seria uma boa denúncia, caso não tivesse uma abordagem extremamente maniqueísta, evidentemente.

Mas, esse maniqueísmo não é exatamente um defeito, pois Sollima faz questão de mostrar que em seu entendimento, a fábula que Sheridan criou é somente um produto de ação, como os longas estrelados no passado por Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger, por exemplo, mas com um trabalho estético e técnico mais apurado. A fotografia do polonês Dariusz Wolski (Perdido em Marte, Prometheus, Sweeney Todd) não tenta imitar Roger Deakins, e mesmo sendo bem diferente tem seus momentos de inspiração. Enquanto isso, a música de Hildur Guðnadóttir ajuda a estabelecer a aura de suspense, embora muitas vezes soe intrusiva.

O subtítulo Dia de Soldado é justificado, uma vez que o personagem principal é Alejandro, vivido por Benicio Del Toro, dessa vez sem ter que lidar com um personagem vazio e desnecessário como foi Emily Blunt no primeiro. Sua persona segue misteriosa – apesar de citar um pouco de seu passado – e seu código moral inabalável. Mesmo com poucas palavras, se nota seus limites éticos, fato que o faz parecer até um pouco mais heroico.

A forma como a missão envolvendo o rapto do filho de um inimigo do governo serve para mostrar de maneira didática o quão predatória pode ser a tática comum dos que servem o governo norte-americano, que consideram inimigos como terroristas, ainda que seus métodos sejam muito parecidos. Sollima não consegue trazer à tona grandes discussões ideológicas e morais, mas compensa isso com cenas de ação viscerais e sufocantes, fazendo de Sicário: Dia do Soldado um objeto mais honesto que seu antecessor.

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