Crítica | Silêncio no Estúdio

Silêncio no Estúdio é um documentário que discorre sobre a trajetória da jornalista, poeta e romancista Edna Savaget. O filme é capitaneado pela cineasta Emilia Silveira, responsável pelos excelentes Galeria F e Callado. Mais uma vez seu cinema desbrava uma figura pioneira, que entre os anos 1950 a 1990 produzia programas de televisão que davam voz a um estudo de crítica literária e cultura muito pungente, com alma e identidade muito próprias.

Silveira costuma fazer filmes muito íntimos, mergulhando na rotina e identidade de seus biografados, e com Edna não é diferente. O estudo vai desde o complexo que ela tinha por se considerar feia, até sua facilidade em se comunicar com o espectador. Segundo o filme, Edna sabia transmitir suas ideias, muitas vezes sabendo demonstrar sua intelectualidade, mas de um modo simples e não academicista. A franqueza com que ela tratava o público era enorme, e ajudava a enriquecer esse personagem.

A história contada também passa pelos dramas pequenos e usuais, e também pelos que a atormentava terrivelmente, desde o fato de perdoar as traições do marido em virtude do medo de se desquitar até mesmo a depressão que por vezes lhe atacava. Toda a trajetória dela como comunicóloga é amplamente discutida em riquezas de detalhes por meio de depoimentos de familiares e amigos.

A alma de Edna é muito bem explorada e exemplificada, mesmo para quem não apreciou seu trabalho e método ainda em vida, e essa talvez seja a maior das marcas do cinema de Silveira, que consegue fazer em filmes curtos e econômicos um panorama bastante emocionado, sem nunca deixar a informação e análise crítica de lado. Silêncio no Estúdio consegue reverenciar sua figura de estudo sem soar chapa branca, fato que é raro dentro desse filão.

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