Cinema

[Crítica] Snoopy e Charlie Brown - Peanuts, O Filme

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Snoopy e Charlie Brown - Peanuts, O Filme - poster

Criado em 1950 por Charles M. Schulz, Peanuts é um dos quadrinhos mais populares do mundo, representando um dos pilares das tiras gráficas ao lado de Calvin & Haroldo e Garfield, universos que partem de uma mesma forma distinta de narrativa. Apoiado pelo sucesso, a turma de Charlie Brown e Snoopy – personagens mais reconhecidos do público – torna-se também um grande produto de mercado reproduzido além das reedições da obra completa do autor, muitas vezes dissociando sua intenção original e se destacando pelas personagens em si.

Os derivados mercadológicos trazem reconhecimento aos personagens, aproximando jovens e adultos, leitores das tirinhas, e as crianças pelo apelo infantil em brinquedos e outros produtos, indo além da mensagem de cunho filosófico contida na obra original e em adaptações animadas que tentavam equilibrar estes dois mundos. Com quase 65 anos de existência, Snoopy e Charlie Brown - Peanuts, O Filme é uma nova produção cuja intenção é acrescentar um novo público aos fãs, utilizando os conceitos vigentes na animação contemporânea, como o uso da terceira dimensão – tanto a estereoscopia quanto na composição do traços – e ainda mantendo os aspectos gráficos tradicionais da obra em um interessante contato com a fonte original.

O roteiro escrito por Craig SchulzBryan Schulz e Cornelius Uliano abrange os perfis característicos das personagens, as quais o público está acostumado. A trama desenvolve tanto uma história própria quanto apresenta pequenas ações rápidas, típica das tiras, narrando duas histórias em uma: a turma de Charlie Brown e outra para Snoopy e o amigo pássaro Woodstock. Mantendo-se dentro da estrutura conhecida, Charlie Brown é o  menino azarado que se apaixona pela menina ruiva recém instalada no bairro. Inseguro quanto a sua abordagem, em um deslocamento que gera identificação a todos que se sentem diferentes, elabora planos para tentar conquistar a garota, enquanto permanece em sua rotina ao lado dos amigos, e filosofando pequenas pílulas de sabedoria, bem inseridas na histórias.

Em paralelo, Snoopy contrapõe sua história em entreatos da primeira, em uma meta-narrativa a qual o próprio cachorro imagina aventuras de um aviador desafiado pelo Barão Vermelho. As cenas apelam para o conceito primordial do cinema, explorando dois personagens que, sem falas, se comunicam através de sons e da trilha sonora, dando vazão a um humor cênico que, como nas tiras, se contrapõe as reflexões adultas das tiras, costuram e simbolizando as tentativas de conquista de Charlie Brown. Transitando em totalidade ao universo conhecido e consagrado.

Dirigido por Steve Martino de A Era do Gelo 4 e Horton e o Mundo Dos Quem, a longeva obra de Schutlz segue tendencia similar a adaptação de Os Smurfs tentando trazer um novo público a uma história tradicional e aclamada, um movimento semelhante com outra adaptação recente, O Pequeno Príncipe, que também ganha nova roupagem com uma narrativa contemporânea para dar força e se manter no mercado diante de novos lançamentos. A força das personagens garantiram uma abertura de US$45 milhões que surpreendeu positivamente a 20th Century Fox, uma prova da universalidade da obra do autor e uma evidencia de que o público também aceita antigos produtos desde que bem equilibrados ao apresentar uma história nova sem trair suas bases fundamentais.

Thiago Augusto Corrêa

Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e música. Formado em Letras, escritor e metido a sabichão.
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