Crítica | Starry Eyes

Jamais lançado no circuito brasileiro, Starry Eyes é um filme de terror da dupla Dennis Widmyer e Kevin Kolsch. O filme acompanha a trajetória da jovem Sarah que sonha com uma carreira de atriz, e tenta ganhar a vida fazendo testes para pequenos papéis no cinema e na TV, além de conviver com amigos esnobes e metidos a intelectuais, enquanto ainda tem de trabalhar em um restaurante para pagar suas contas e manter vivo seu sonho.

O traje que usa, colado em seu corpo é revelador demais, e pior que que se submeter a um uniforme de trabalho tão “invasivo” é ter de lidar com os olhares lascivos das pessoas. Seu supervisor, um sujeito de discurso otimista e motivador a olha de cima a baixo, despindo-a em sua mente. Sarah claramente tem problemas para se relacionar com o sexo oposto, e essa postura só piora todo o quadro.

Ao tentar fazer audições, ela tem lapsos, fantasias sangrentas, ecos de uma vivência que não teve mas que são incrivelmente reais e assustadoras. Em sua mente fica a dúvida se aquilo é apenas um devaneio ou premonição para algo que ainda lhe fará mal. Da parte real da trama, há um convite para um teste de um filme b de terror chamado Silver Scream, e as brincadeiras metalinguísticas não param aí.

Sarah decide participar do filme, mas se vê frustrada ao ser assediada por um dos produtores. Seus pesadelos pioram e ela sem saber o que fazer, resolve voltar atrás na decisão que tomou, e a partir daí é como se uma maldição sanguinolenta caísse sobre seus ombros, piorando seu estado mental, refletindo essas imperfeições em seu corpo, que aos poucos passa a expelir toda sorte de nojeira. A deterioração pela qual passa a personagem de Alex Essoe dá a ela chance de variar entre os arquétipos de filmes de terror, não sendo apenas a famosa garota em apuros ou a mocinha virginal, mas também a catalisadora do mal e punidora daqueles que se julgam superiores. Há elementos de filmes sobre satanismo, canibalismo, zumbis e slasher, e mesmo quando o filme apela para clichês é tudo  muito bem construído e enquadrado. Sarah é a vingança encarnada.

A fotografia onde predominam cores escuras ajuda a mascarar o orçamento diminuto que Widmyer e Kolsch, em contrapartida, não falta inventividade. Starry Eyes tem uma forte carga de discussão social, sobre assédio, bullying e dificuldade de crescer longe dos cuidados paternos. Uma pequena pérola do terror que precisa ser descoberta.

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