Crítica | Supergirl

Apenas um ano após o lançamento do vexaminoso Superman III, os produtores Ilya e Alexander Salkind levavam as telas de cinema um spin off, protagonizado por Helen Slater e dirigido por Jeannot Szwarc. A Supergirl de 1984 contém semelhanças em sua abertura com a versão de 1978 de Superman, ainda que tenha uma apresentação mais colorida,  mais voltado para o que os produtores achavam ser comum para o público feminino, primando por tons rosas. A construção do passado de Kara Zor-El é mais pautada em alguns poucos uma ambientação mágica, onde habitam os remanescentes do planeta extinto, na cidade de Argo.

O missão de Kara envolve um mentor estranho, Zaltar, interpretado pelo veterano Peter O’Toole, que tem em seu comportamento algumas ideias bastante contraditórias, a respeito de enviar a moça em uma missão a Terra, lançando no espaço, em direção ao planeta onde não só seu primo está como tambem um artefato, chamado Omegahedron. O objetivo da moça é recupera-lo que deveria, pois ele caiu em mãos erradas, ficando em posse da bruxa moderna Selena (Faye Dunaway), que tenciona dominar a terra com esse poder.

Ilya Salkind consegue produzir um longa estranho em essência, que começa pela chegada personagem ao planeta já trajada como heroína, sem qualquer preparação ou algo que o valha, seguida de cenas de voo terrivelmente mal feitas, com fundo verde mais vagabundo possível, com erros de escala assustadores entre a figura em movimento e o cenário fixo. Algumas referências interessantes são notadas, como a cidade engarrafada de Kandor, mas só há menção, nenhuma exploração o tema é feita o que é lastimável, já que isto poderia fazer enriquecer a trama.

A direção de Szwarc é curiosa, e até tenta ousar. Sua experiência com seriados televisivos como Galeria do Terror e a versão oitentista de Alem da Imaginação o credencia a montar um cenário sci-fi para sua versão do mito kriptoniano. O roteiro de David Odell é confuso em sua confecção, apresentando uma personagem solitária, já experimentada, na fase da puberdade, que necessita encontrar companhia em uma escola, sem qualquer quantia em dinheiro para pagar seus estudos ou necessidade prévia de convívio com outros adolescentes. Não faz qualquer sentido a construção em volta de identidade de Linda Lee, a não ser forçar uma ligação emocional com o público alvo feminino.

O romance ocorrido entre a protagonista e Ethan (Hart Bochner) surge sem qualquer plausibilidade. Os arcos dramáticos do longa são movidos por um tipo estranho de magia, que pouco tem a ver tanto com as histórias em quadrinhos de Kara Zor El quanto com os filmes anteriores da franquia Super. O resultado final é um produto confuso, com uma crise de identidade tremenda e que não conseguiu se valer em quase nada dos filmes clássicos do Superman, resultando em um fracasso de  bilheteria, arrecadando menos de metade de seu orçamento e não à toa, pois a mistura dos elementos heroicos com magia simplesmente não funcionam.

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