Crítica | Superpina – Gostoso é Quando A Gente Faz

Filme de Jean Santos, proveniente originalmente de um curta metragem de nome parecido, Superpina Gostoso é Quando A Gente Faz começa misturando cenários diferentes, mostrando uma praia de Recife e um supermercado, chamado também de Superpina. Não demora até a entropia entrar na equação, quando, quando uma moça é pega tentando furtar produtos do estabelecimento, e chamam a polícia. A luz do lugar cai e vem finalmente o letreiro e a partir dali começa outra parte do filme, emulando os atos que dividem as peças.

A personagem de Dandara De Morais, Paula, é mostrada com roupas multi coloridas e apliques azuis nos cabelos. Ela canta Paola, em uma versão de Paulinha Martins, em um ritmo bem alegre, mambembe e faceiro, que percorreria todo o filme. Paula é uma moça bem realista , mas ainda guarda alguma fé, tanto que se consulta com uma velhinha mística que tenta prever o futuro na borra de café.

Aos poucos são mostrados outros personagens, todos jovens, bonitos e cada um com alguma mania diferenciada, entre voyeurs, nudistas e pessoas desapegadas de relações monogâmicas ou heteronormativas, surge um conceito abstrato que permeia o filme inteiro, que é o amor primo, algo inexplicado até o final, aliás , contendo durante os 85 minutos de duração algumas pistas do que seria de fato isso.

A nudez dentro do filme de Santos é encarada de maneira hiper realista, algumas vezes erotizada e em outras tantas não. O desapego de praticamente todos os personagens não envolve somente as questões sentimentais mais também as relações carnais, não à toa a algumas cenas de sexo grupal durante a exibição, normalmente com função narrativa apesar de serem bastante repetitivas. A ideia de massificar que aquilo é ( ou deveria ser) parte integrante do cotidiano dessas pessoas é bem passada, mesmo que em alguns momentos a fórmula se torne um pouco cansativa.

Por mais que esta versão de Superpina não seja perfeita, percebe-se uma intenção muito boa da parte do realizador, que encara sua obra como um manifesto contra a caretice que já vigorava em 2016 e piorou muito nos últimos anos. Apesar de algumas discussões entre os jovens soarem pretensiosos há muito de verdade nas conversas entre eles em especial por mostrar que essa juventude é cheia de certezas fúteis que normalmente são desatadas com o pragmatismo da vida adulta. O grupo focado pelas lentes do diretor é composto por sonhadores,

O cinema de Santos é pretensioso e isso não é necessariamente um problema. Aparentemente há um desejo de referenciar um cinema erótico estrangeiro, com referências a Império dos Sentidos e até há alguns filmes nacionais de sexo explicito, como Rebuceteio, embora o caráter da historia deste  seja bem diferente das duas obras citadas. Mesmo com alguns problemas de ritmo e a problemática dos ciclos repetitivos, há algumas ideias que abrilhantam o filme, como os slogans dos produtos do mercado e a consequente sugestão de crítica ao consumo. Superpina não é um filme perfeito e super maduro, mas é muito emocional, visceral e verdadeiro em suas colocações, e o homem por trás da obra parece bastante apaixonado pela linguagem do cinema, embutido em quebrar barreiras e transgredir questões através do manifesto artístico.

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