Cinema

Crítica | Survive and Advance

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Survive and Advance começa variando entre o jogo vencido por North Carolina State em cima de Wake Forest, em 1983, e Dereck Whittenburg se arrumando, colocando terno para uma ocasião especial irrefutável, o enterro de Lorenzo Charles, o homem que fez a enterrada que deu o titulo a universidade. O documentário se dedica a mostrar  como a geração formada por Jimmy Valvano e seu legado.

Jonathan Hock volta a dirigir mais um 30 for 30, sobre os discípulos de Valvano, variando entre as imagens de arquivo e uma conversa com os remanescentes daquele time, do mesmo elenco que parou a The University of North Carolina at Chapel Hill de Michael Jordan e companhia, quase sempre valorizando o discurso e modo de energizar os atletas e torcida que Valvano empregava.

Em muitos pontos se percebe que Jimmy era um autentico mestre de cerimônias, ele pegava o microfone e incendiava a todos, não só o Wolfpack (apelido dado aos jogadores que ostentavam o vermelho e branco da universidade), mas também o restante do entorno. A noticia de que ele tinha câncer, nos anos 90 abalou toda a geração,todas as pessoas tocadas pelo seu trabalho e jeito.

O clima de reunião de amigos permanece pelos 100 minutos de exibição, e quase não sai disso. Há semelhanças de formato deste com An Evening with the Class That Saved Coach KMike Krzyzewski, o Coach K inclusive dá depoimentos sobre ele —, com a diferença básica de que neste, a presença de Galvano é muito maior, não só por ele ter morrido, mas também pelas muitas imagens que tem dele, sempre exalando o caráter showman que ele tinha, sempre estando no centro das articulações. Suas entrevistas eram verdadeiros eventos, o problema maior é que, num filme como esse que se baseia tanto no lado emotivo, acaba de certa forma não valorizando tanto os aspectos técnicos e o diferencial no modo como Jimmy tocava sua tática e jogo.

O fato dele assumir como se fosse o principal responsável pela problemática de envolver o programa da faculdade, onde pessoas vendiam camisas ou lugares para ver o NC State, deixando que esses eventos que eram para uma parcela da população fosse algo  mais comercial, infringindo algumas regras da NCAA, que exige que uma boa parte do publico fosse da própria universidade, e não do publico geral.

Survive and Advance é um documentário com um  ritmo divertido, Hock consegue apresentar uma historia que tem um tom encorajador e emocionante, levando em conta claro a memoria de Valvano como treinador, palestrante, figura pública e claro, formador de opinião para quem tem algum ligação com NC State, assim como quem pensa e faz o basquete universitário de alto nível.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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