Crítica | The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years

Músicos, artistas, críticos, fãs, bem como grande parte dos amantes da música colocam os Beatles como uma das bandas mais significativas de todos os tempos. Ainda que, atualmente, qualquer um pareça digno do status passageiro de gênio, é inegável que os britânicos se tornaram influências ímpares na música e figuras representativas do imaginário pop.

De 1960 a 1970, tempo em que a banda permaneceu na ativa, cada novo lançamento apresentava alta qualidade e novidade, experimentações e canções que ao mesmo tempo eram populares e continham um requinte musical. Conforme a banda foi crescendo disco após disco, o incomodo pelo cansaço inicial, repleto de incansáveis tours pelo mundo afora começou a incomodá-los. O que foi conhecido como Beatlemania foi um dos primeiros cultos a personalidade musical do século passado, bem como as apresentações dos Beatles se tornaram um marco dos grandes espetáculos musicais. Demonstrando como o ouvinte da época se identificava com as canções e com os jovens da banda.

Dirigido por Ron Howard, The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years registra com profundidade os anos de 1963 a 1666, quando o Quarteto de Liverpool estavam no auge da fama e realizaram mais de 250 shows pelo mundo. Com depoimentos pontuais de estrelas e da própria banda (com imagens de George Harrison e John Lennon resgatadas de entrevistas anteriores) o documentário analisa o período efervescente da banda e o crescimento da carreira a partir de cada álbum lançado.

A chegada do grupo ao sucesso ocorreu de maneira explosiva. E lá permaneceram eternamente, sem dúvida, com altos custos pelo caminho. Se o quarteto não sucumbiu as pressões da época, como outras bandas fizeram no auge do sucesso, muito se devia a unidade do grupo em que um apoiava o outro para afrouxar a pressão, comportando-se na mídia como uma unidade de quatro cabeças pensantes.

É impossível assistir ao documentário de maneira impassível diante do resgate de diversas imagens raras da banda bem como na apresentação de contagiantes canções, principalmente porque a fase destacada na abordagem enfoca as canções do início da carreia, dançantes, com letras apaixonadas e refrões grudentos.

O público que conhece a trajetória da banda, reconhecerá muitas imagens, bem como apresentações icônicas da banda. Como a apresentação no The Ed Sullivan Show e os últimos shows da banda realizados na Alemanha, Japão, Filipinas e  Estados Unidos. Registros que, graças à rede, estão disponíveis para qualquer fã. Apresentações que, de tão procuradas, inauguraram o conceito de shows em estádios, um marco para a época. Ainda mais porque, diante da parca qualidade técnica dos shows, a banda mal se ouvia diante do grito eufórico da multidão.

Se há qualquer dúvida da importância do quarteto, Eight Days a Week se apoia na cronologia para mostrar a evolução da banda, bem como o cansaço com os excessos de shows. Aos poucos, o público compreende uma banda ímpar que soube lidar com a fama e reverter as regras da indústrias ao ponto de desistirem das apresentações para se dedicar exclusivamente a criatividade das composições em estúdio.

Sem nenhum elemento técnico como novidade, além das imagens fotográficas com breves animações, um recurso recente utilizado para dar maior dinamismo na apresentação das imagens antigas, o documentário se desenvolve de maneira tradicional, afinal, seria desnecessário qualquer inovação narrativa quando se fala de Beatles. A banda em cena, brilhando a história da música do início ao fim é tudo o que interessa ao assistirmos a obra.

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