Cinema

Critica | The Dominician Dream

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A história de Dominician Dream tem em comum entre seu diretor, Jonathan Hock, e seu biografado, Felipe Lopez, a localidade do Bronx. Hock é descendente de imigrantes do Leste Europeu que chegaram no distrito nova iorquino anos atrás, assim como o prospecto vindo da República Dominicana, que narra sua própria história de forma bastante emocionada. Ao dirigir nas estradas rumos ao seu país, o sujeito que foi até capa da Sports Illustrated, embarga a voz e tem de driblar as lágrimas que passam por debaixo de seus grandes óculos escuros, essa sem dúvida é uma historia muito emotiva e marcante.

Na Republica Dominicana, o esporte mais popular era o Baseball, então imaginar que um jogador do país caribenho alcançaria a NBA era algo improvável nem nos maiores sonhos dos conterrâneos de Felipe. Hock é habilidoso, ao mostrar tão bem os detalhes dos Lopez, e de contar a historia em seu início através da fala dos parentes, sobretudo os mais velhos, com alguns deles sequer conseguindo falar em inglês.

Há uma riqueza de detalhes grandes, desde a chegada dele ao Gauchos, um time amador local, onde foi recebido pelo técnico Dave Jones, que já destacava o quanto era bom em enterradas e tocos, até a transição para Iona, Nova York, que inclusive foi rápida. No Colégio Rice  ele rapidamente virou um jogador querido, mesmo sendo um imigrante, e aprendeu a falar inglês foi muito rápido, a despeito de um ou dois anos antes ele falava bem mal a língua dos EUA.

Entrevistam até a família branca que o adotou na época escolar, e as pequenas obrigações que ele tinha, como lavar as louças viram evento entre os Lopez, que riem muito disso em seu país de origem. No entanto, o foco narrativo mora nos feitos de Felipe nos torneios mirins e infantis, e a primeira proposta financeira profissional, que chegou a si através do Philadelphia 76ers, antes mesmo de entrar na universidade. O treinador Sonny Vaccaro o aconselhou a aceitar, mas ele preferiu prestar os exames de faculdade, fato que inclusive o ajudou a ser mais que apenas um esportista, uma vez que ele jogou infinitamente melhor no college em comparação com o que foi na NBA.

Lopez é extremamente articulado, o modo como ele fala das críticas que eram proferidas a si nos jornais esportivos é bastante esclarecedora. Nas palavras dele, ele pagava por ter tido sucesso na faculdade, e eram exageradas as falas sobre ele não conseguir arremessar. As idas e vindas no tempo ajudam a mostrar não só a importância da  educação que ele teve na faculdade, que alias, lhe rendeu um diploma que era um fato inédito em sua família, como também base para, na segunda tentativa em 1998 quando foi escolhido pelo San Antonio Spurs para ir até o Vancouver Grizzlies, no Canadá (hoje, a franquia está nos EUA, em Memphis), e isso o atrapalhou demais, como s ele tivesse deixado de ir para o melhor time do mundo e fosse automaticamente para o pior da historia.

A carreira de Felipe está longe de ser o fenômeno que se esperava, mas ele ainda teve um rendimento bom, jogou por vários países inclusive no Brasil, defendendo o Minas Tênis Clube, disputou mundiais por sua seleção e ainda voltou para um ultimo ano, em Santiago, sua cidade natal, onde se sagrou campeão nacional com o ponto final em um arremesso livre, repleto de emoção. Há algo de mágico e bonito na trajetória de Lopez, e Dominician Dream registra isso de forma informativa e apaixonada na medida.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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