Cinema

Crítica | The Fab Five

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The Fab 5 é um filme de Jason Hehir, tem um tom confessional e muito personalista, explicando com uma verve bem emotiva da geração marcante da Universidade de Michigan, responsáveis pelo nome diferenciado que serve de alcunha ao filme. Lançado em 2011 um dos mais conhecidos especiais em formato de documentário da ESPN.

As camisas amarelas dos universitários em quadra, permeiam a entrada que é por sua vez embalada por uma música Rock n’Roll pesada, onde se destaca o nome do time, Michigan Wolverines, fato que obviamente faz associar a força deles com o ferocidade do mutante canadense da Marvel Comics. Steve Fisher, o treinador do time universitário ficou em uma posição complicada, por ter sido um treinador campeão em suas categorias, tendo é claro esse sucesso como algo desejoso de se repetir, apesar de muito difícil, e para alcançar seus tentos, ele iria atrás de estudantes para formar o quinteto ideal.

Dedica-se um tempo para desenrolar a origem de cada um dos que formaram aquele time, Chris Webber, Jalen Rose, Juwan Howard, Jimmy King e Ray Jackson, O filme conversa bem com I Hate Christian Laettner, especial pela rivalidade dos Wolverines com a universidade de Duke. A opinião geral sobre Laettner variava entre ser uma figura semelhante a de um deus, e de ser um molenga, de vida e rotina fácil.

Os cinco calouros jogando juntos pareciam ter uma conexão magnética enorme, mas o filme não consegue manter o mesmo ritmo frenético de seu inicio. Seu maior pecado é ser preso demais a formula de documentários, variando entre as palavras emotivas dos participantes daquela campanha, com meras imagens da trajetória do time no campeonato universitário. Falta originalidade e frescos, isso compromete o ritmo e tira um pouco da atenção do espectador nos momentos do meio para o final.

Toda a questão envolvendo o escandalo de Ed Martin, que era conhecido como Godfather em atenção ao nome original do filme O Poderoso Chefão, é muito bem exemplificada, seja nas gravações de Chris Webber na época que já era um jogador da NBA, ou de Brian Dutcher, um dos auxiliares técnicos, que rasga o verbo. Essa temática não é incomum sequer nas abordagens fictícias do  cinema, tanto em Blue Chips de William Friedkin ou no recente Amador. Ainda há chance da família dele defender seu legado, um dos filhos de Martin tenta falar a seu favor, não entendendo o receio de Webber, mas qualquer relativização desses aliciamentos não conseguem compensam os fatos e investigações em torno de Ed.

O futuro dos cinco foi diferente entre sim, alguns foram para a NBA (Howard, Webber, King e Rose), outros se tornaram treinadores, ou seja, marcaram seus nomes  na historia do esporte. A lenda em torno do Fab Five é tão grande que mesmo com o escândalo de manipulação e “contratação" dos cinco jogadores para o time, não se manchou a jornada deles, mesmo que não tenham feito tanto sucesso no basquete profissional, e Hehir  capta bem o cunho emocional e reverencial que a comunidade de Michigan tem pelos pupilos de Fisher e por ele próprio, assim como a sensação de pertencimento familiar que eles tem, mesmo sem laços sanguíneos.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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