Crítica | The Love Witch

Filme de 2016 com clima e atmosfera típica das fitas antigas de décadas atrás. The Love Witch é um filme de Anna Biller, que também fez o roteiro e é pessoalmente responsável pelo belíssimo figurino do filme. O longa conta a história da  jovem Elaine (Samantha Robinson), uma bruxa iniciante que vive seus dias entre tentar tocar a vida após uma bruta decepção amorosa, e claro, as iniciações nos ritos de feitiçarias.

Elaine é dona de uma beleza clássica, típica das pin-ups dos anos sessenta, até a criação de sua maquiagem remete a um tempo pregresso, fazendo lembrar os filmes de terror mais antigos, desde as comédias Elvira: A Rainha das Trevas e Da Magia a Sedução, como também os longas mais caros e clássicos de terror da Hammer Films. A mistura entre o gótico e o psicodélico se manifesta tanto no visual quanto nas relações entre a personagem principal e os outros.

O roteiro em alguns momentos é tão explícito que chega a ser didático em especial nos assuntos que se relacionam com a figura da protagonista e com visões mais progressistas no papel que a mulher exerce social e cotidianamente. As vítimas dos feitiços são atacadas entre outras coisas graças aos pecados que elas cometeram ao longo de suas vidas, normalmente associando a violências ou violações de privacidade das mulheres. No entanto, o discurso político não soa panfletário, ao contrário, é bem humorado, mesmo que possa chocar as plateias mais conservadoras.

Boa parte dos cinéfilos que assistiram The Love Witch se perguntaram se Elaine funciona ou não como alter-ego da cineasta, no entanto, se ela é ou não é um fato irrelevante, já que as ideias que ela professa e a vida que leva reúnem elementos comuns aos anseios de qualquer mulher adulta, a diferença é que dentro desse universo fantasioso e canastrão estabelecido aqui, ela consegue cumprir algumas das violências que muitas pessoas apenas sonham em realizar.

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