Cinema

[Crítica] The Nightmare

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The Nightmare 1Documentário de formato inusual, cuja chancela fica mais popular com o passar dos anos, The Nightmare é uma fita orquestrada por Rodney Ascher, diretor do interessante O Labirinto de Kubrick (ou Room 237) que investiga takes de O Iluminado. A nova empreitada do diretor é focada em oito pessoas que sofrem do mal da insônia, drama este que se alastra pela sociedade moderna.

O início é filmado a partir de cenas dramatúrgicas, que remetem à infância de um doente anônimo. A universalidade da sequência abarca não só os personagens do filme, mas qualquer ser que consuma a fita, pondo o espectador no papel de personagem também, estabelecendo um contato imediato entre os pares. A identidade dos entrevistados é parcialmente escondida, com menção a poucas letras de seus sobrenomes, que visam tornar a experiência ao espectador muito mais empática, apesar de todo estilismo.

Os medos e traumas são representados por cenas que beiram a graça, de tão pitorescas. Abduções e temores de figuras monstruosas permeiam o imaginário dos entrevistados, e são representados por pesadelos terríveis, com insinuações bem interpretadas, que valorizam em cada detalhe a terrível sensação de não conseguir descansar, especialmente nas representações de sonhos ruins frequentes.

The Nightmare 3

Os relatos passam a ser cada vez mais atemorizantes, por incluírem situações limite, que por mais que evoquem questões bizarras, vez por outra incorrem em medos comuns, como impotência sexual, choques e pânicos fálicos. Apesar de pessoais, cada retrato filmado possui um caráter comum, que reflete anseios, animosidades e fobias inexoráveis ao existir do homem, fatores que em sensação desperta, trava o indivíduo, e que, no campo das ideias, faz do homem um alguém ainda mais covarde e debilitado, especialmente por não haver fuga do subconsciente, e tal receio é bem enquadrado, a despeito da repetição de alguns contos, já que a fonte da insônia vez por outra é a mesma.

A teatralidade do roteiro escancara uma característica que pode ser negativa, já que muitas vezes, o formato do filme supera seu conteúdo. No entanto, por se tratar em essência de algo que faz parte da rotina de muitos, seu caráter é bastante válido, mesmo com o simplismo que insiste em se fazer valer em muitos pontos do longa-metragem, passando a impressão de que o espanto noturno seria a causa da doença em si, quando sua incidência é bem menor do que pressuposto. A curiosidade fica por conta dos medo ufológicos, que habitam os sonhos de vários dos pacientes, e que insistem em habitar o ideário do homem comum, demonstrando que o receio do desconhecido, continua sendo um dos maiores bloqueios do homem, e nesse sentido, The Nightmare funciona prodigamente.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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