Crítica | The Square: A Arte da Discórdia (1)

Após apresentar um filme polêmico, com qualidades indiscutíveis – Força Maior – o diretor sueco Ruben Östlund traz à luz o vencedor da última Palma de Ouro de Cannes, The Square: A Arte da Discórdia, um misto de drama com elementos de humor rasgado que se foca nos dias e intimidade de Christian (Claes Bang), um curador de um famoso museu na Suécia.

O filme demonstra o quão efêmera e vazia pode ser a vida da alta cúpula européia, mesmo em meio a um cenário onde a arte é o principal chamariz. A cultura que as pessoas tem acesso não necessariamente garante uma elevação espiritual, intelectual ou de caráter para qualquer uma delas, em especial o protagonista.

Na trama, Christian dá uma entrevista a uma repórter chamada Anne (Elisabeth Moss), a partir de então essa quase relação se faz notar algumas coisas básicas sobre a insegurança do protagonista. Esses problemas pelo qual ele passa soa engraçado, mas na maior parte das vezes só revelam o quão patético e desinteressante é acompanhar os dias dessa pessoa, seja nas recusas a relações sexuais ou na tentativa de reaver os seus pertences furtados.

O fato de trabalhar num museu que reúne obras de diversos artistas permite ao roteiro brincar com os formatos e manifestações de artes. Em uma delas, é mostrado um homem primitivo, o mesmo que estampava seu rosto em um vídeo em uma sala vazia, preenchida basicamente pelo público. Em um jantar o sujeito é levado a conviver com os membros da alta sociedade e lá age como um animal silvestre, praticando selvagerias quase que sem qualquer restrição, exceto quando está claramente em desvantagem e os homens velhos e caquéticos conseguem imobilizá-lo após lidar de maneira abusiva com uma mulher. A tentativa de soar metalinguístico é bastante banal, soando de maneira nada sutil, o que causa até uma certa estranheza em quem vê, já que o filme gosta de brincar com indiscrições.

O formato episódico do filme esgota a paciência do espectador logo, e ele não é tão irritante ou despropositado quanto foi Eu, Daniel Blake que venceu o prêmio no outro ano, mas contém alguns elementos em comum, sendo esse menos carente de nuances, mas igualmente despropositado nos temas que aborda, talvez até mais que o filme de Ken Loach, um vez que ele parece não ter uma identidade muito definida para si. The Square: A Arte da Discórdia mais parece uma coletânea de idéias que em alguns pontos funciona e em outros não..

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