[Crítica] Tinha Que Ser Ele?

A nova comedia que James Franco protagoniza se foca em um assunto clichê, que é o choque entre gerações muito diferentes. Seu personagem, Laird Mayhew é um sujeito moderno, terrivelmente rico e tão excêntrico e afável quanto o saldo de conta bancária. Por sua vez, ele namora Stephanie Fleming (Zoey Deutch), filha do quadrado dono de uma empresa de cartões, Ned (Bryan Cranston), um sujeito tão correto que não permite sequer que seu filho Scotty (Griffin Gluck) fale palavrões.

O chamado à aventura ocorre após a festa de aniversario do patriarca, onde ele acidentalmente conhece o par de sua herdeira, tendo então aceito o convite para ir para a casa do rapaz, onde descobrem não só a fortuna do sujeito como a vocação dele para o ramo de videogames.

Laird é um sujeito carente e que precisa de constante aprovação, semelhante demais com o visto no filme anterior do diretor John Hamburg, Eu Te Amo Cara, mostrando que o cineasta tem uma verdadeira vocação para tocar nesse assunto tão comum as preocupações do homem adulto moderno. Nas pouco menos de duas horas subsequentes o que se vê é um montante de situações constrangedoras que põem a prova o discurso e os ideais do homem velho, mostrando a si toda a espontaneidade e visceralidade que perdeu ao longo dos anos, deixando de ser um homem impulsivo para se tornar um sujeito excessivamente seguro.

O fato é que, apesar de reunir em si muitos clichês do humor moderno, Tinha Que Ser Ele? não trata seu espectador como bobo, apesar de ter uma comédia que se baseia bastante no que é popular entre o público teenager, com uma dose de pimenta do que as vistas em Superbad e demais sub produtos.

Como se não bastasse o filme ser histericamente cômico, ainda há um personagem que serve basicamente para fazer troça com tudo e todos, que é Gustav (Keegan Michael Key), que serve como auxiliar nos cuidados da casa tanto para seu patrão quanto para os convidados. Seu ponto alto consiste nas interações que tem com Ned, em especial na invasão de intimidade ocorrida quando o segundo está se aliviando de suas necessidades biológicas, além de ser ele o catalisador da percepção do racismo vigente no cotidiano do sujeito careta.

Se existe alguma inteligência no roteiro de Hamburg, Ian Helfer e Jonah Hill é no deboche que ele faz tanto ao americano médio que se orgulha por ser o suburbano bem sucedido, ao desconstruir a figura de homem perfeito normalmente sustentada por si, assim como também critica os pseudo conhecedores de culturas alternativas, em especial os que acham que são sommeliers culinários, unicamente porque se alimentam do que a maioria não consome. Há também um comentário bem ácido ao ambiente corporativo dos aficionados por tecnologias, apelando até para a questão da mansão em que reside o protagonista ser um lugar sem papéis, fato que faz a rotina de todos ser muito estranha.

Os momentos antes do final são épicos, com algumas participações especiais que vinham sendo anunciadas ao longo da duração do filme, e apesar de conter um final conciliador e pueril, Tinha Que Ser Ele consegue apresentar com vigor uma comédia descompromissada com grandes discussões, mas que faz um bom papel no sentido de colidir universos díspares.

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