Crítica | Todos Os Paulos do Mundo

Gustavo Ribeiro e Rodrigo Oliveira trazem a luz o filme reverencial Todos os Paulos Do Mundo, sobre a performance de Paulo José em novelas, teatro e, principalmente, cinema. O documentário reúne imagens dos filmes, e é basicamente montado em cima de cenas de arquivo, sem quase nenhum material inédito a não ser a narração do próprio ator e de outros que trabalharam com ele no passado, assim como aqueles que o reverenciam como grande ator que é.

Um tempo demasiado é gasto dentro da história para contar qual é o modo que Paulo escolhia para expressar sua arte. De certa forma, ele se auto-define como um aluno do método, uma vez que vive como seus personagens, deixando de viver normalmente para se expressar tal qual o seu papel, assim como também assume só interpretar a si mesmo. A poetização de seu trabalho cabe muito bem dentro do filme e da proposta de traçar o perfil de um artista.

O modo de contar a história que Oliveira e Ribeiro propõem é bastante interessante, e faz lembrar outros exercícios documentais recentes, como Cinema Novo e Campo de Jogo de Eryk Rocha, ainda que esse seja ainda mais centrado e certeiro, por ter um objeto de análise que está realmente perto de seus realizadores.

A pesquisa de Amanda Baião é muito rica e bem empregada, e sem ela certamente o filme não teria nem perto do impacto que tem aqui.É curioso porque grande parte da analise final sobre Todos os Paulos do Mundo pode ser prevista com 10 minutos de filme, mas apesar disso, todo o restante não soa repetitivo ou redundante, já que a alma de Paulo José é imortal em demonstração e exercício, além de se revelar um tremendo mentiroso quando tenta ser humilde.

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