Cinema

Crítica | Top Gang!: Ases Muito Loucos

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O começo de Top Gang!: Ases Muito Loucos, combina demais com o do filme que ele parodia, Top Gun: Ases Indomáveis – na verdade, o filme de Jim Abrahams tem nome original bem diferente, Hot Shots – e a música inspiradora, Sea Maneuvers, de  Sylvester Levay toca enquanto o porta aviões é ocupado por muitos palhaços, pessoas que jogam futebol, fazem churrasco, fazem coreografias ou simplesmente fazem baliza com as aeronaves como se fossem carros.

Um tempo se passa até que a ação finalmente começa, e graças como aves desviando do avião e falando. Topper Harley personagem de Charlie Sheen é um piloto, que está escondido e que sonha o tempo inteiro com seus feitos da época que seu pai pilotava naves. Seu novo nome indígena, Tukanchilla é mais um argumento de deboche, que o faz esquecer (de certa forma) o trágico destino de Buzz seu pai. Logo, um superior o encontra e oferece uma segunda chance para ele, retornar a marinha.

O roteiro de Abrahams e Pat Proft não tem qualquer vergonha em fazer troça, com um humor pastelão, contendo muitas piadas de peido, graça com a voz de personagens alterada por uso de gás hélio etc. No entanto, Topper não é tão diferente de Maverick, sua contra parte do filme de Tonny Scott, a diferença é que Charlie Sheen se leva menos a sério que Tom Cruise, principalmente por lançar mão de um humor típico do cineasta, o mesmo que fez Apertem os Cintos O Piloto Sumiu.

A apresentação do personagem Jim "Wash Out" Pfaffenbach é curiosa, pois seu interprete, John Cryer, que faria dupla com Sheen em Two and a Half Men – também há um pequeno papel para Ryan Stiles que fez Herb Melnick na mesma série, um dos personagens recorrentes mais engraçados da mesma - infelizmente os dois tem poucas cenas juntos, mas já se nota uma química entre os dois. A essa altura, eles mal tem a química que teriam. Além de Top Gun, o filme alude a Nascido Para Matar, de Stanley Kubrick, além de resgatar elementos de Águia de Aço, de Sidney J. Furie, a imitação barata  do filme de Cruise, especialmente no que toca a questão de uma nova geração de pilotos surgir a partir dos filhos da anterior, embora aqui, mesmo com as piadas, seja mais plausível no outro filme. Há referências também a Rocky, Superman- O Filme e histórias românticas do cinema clássico, como Casablanca.

Há muitas piadas nos fundos dos cenários, é preciso estar atento para perceber todas, além de repetir sempre a gag dos homens sentando em cima de um cachorrinho. Os flertes e o sexo são apresentados de forma caricata, exagerada  e muito engraçada. A primeira delas envolve uma festa gastronômica excêntrica e nojenta, em que o homem usa todo tipo de alimento para estimular o seu par, em um momento grotesco ao extremo.

A ideia de humor de parodia dos anos 90 agravou o tom de besteirol da outra década, tudo é muito mais artificial e galhofeiro, e certamente Top Gang só funciona pelo fato de Sheen se levar pouco (ou nada) a sério, mas ainda assim, há críticas bem ácidas, como no que toca o Almirante Benson de Lloyd Bridges, um oficial antigo e bastante confuso em cada uma das suas ações, uma representação caricatural do homem velho da marinha, o senil, o sujeito que não tem qualquer noção de civilidade, de trato ou de comportamento humano básico.

O paralelo que Topper faz, de que jogar para perder – ou seja, trair seu país – é errado como dormir com sua irmã (que apesar de ser uma boa moça e ter seios fartos, ainda assim é ilegal) é a síntese do quão descompromissado com a seriedade é o filme de Abrahams, que não se leva a sério sequer em seu combate final. Talvez se Tonny Scott assumisse um caráter parecido para o seu Top Gun, certamente ele seria menos vergonhoso, pois toda a estética da Marinha e dos aviões que a servem é patética ao extremo. Mesmo sem ter o intuito de fazer um comentário político, há uma reflexão sobre o quão mal preparados podem ser os militares dos Estados Unidos.

Top Gangue Ases Muito Loucos é um filme de amigos, onde o elenco é formado basicamente por camaradas, conduzido por um Abrahams inspirado tanto em direção quanto nas tiradas cômicas, que conseguem ser ainda mais malucas e extravagantes que seus filmes anteriores, além de fazer uma troça bem justa com os clichês com o gênero de Ação e Aventura escapista que permeavam o cinema na segunda parte da década de 80.

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Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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