Crítica | Ultraje

De Marc Dourdin, produzido pelo próprio e por Sergio Kieling, e o documentário começa narrado por Roger Moreira, o vocalista e guitarrista da banda Ultraje a Rigor, que protagoniza o longa Ultraje, que obviamente conta a historia da banda de rock paulistana que ganhou notoriedade por conta de suas letras e estilo irreverentes e que recentemente se tornou famosa pela postura política de seus integrantes, sobretudo Roger, que se tornou uma das vozes mais ativas da direita entre os artistas mainstream, e que independente disso, tem uma carreira repleta de sucessos com altos e baixos.

A historia investigada pelo roteiro de Daniel Chaia  é basicamente a de Roger, se detalha de maneira bastante rica  a juventude de Moreira, falando sobre a época que ele insistiu querendo ser musico, de quando dava aula de inglês para pagar seus cursos de musica e do tempo que morou no exterior, falando até sobre um problema de crise de pânico que ele tinha. Enquanto fala, a atual formação toca as musicas que fizeram sucesso por seu repertório.

Os depoimentos dos ex-integrantes são bem legais, e mostram as antigas historias de quando eles ainda eram um conjunto de cover de Beatles, que se chamou The Littles e depois foi decidido por Ultraje a Rigor, a partir de uma sacada de Edgard Scandurra, que variava seu tempo entre a sua outra banda IRA! e o próprio Ultraje. Nesse ponto, o filme mergulha fundo, mostra até momentos de Scandurra como baterista da banda feminina As Mercenárias, fato um pouco esquecido até por fãs mais recentes do  IRA!.

Mais até do que o destaque nas primeiras músicas de sucesso (Zoraide, Chiclete e Inútil), ainda no começo do documentário, há uma longa discussão sobre a gênese da cena paulista de rock, com a criação de uma espécie de um sindicato, onde as bandas, se reuniam na casa de Marcelo Fromer dos Titãs, que era um dos poucos na época que moravam sozinhos, para discutir onde tocariam, e combinar uma taxa mínima de cachê. Frequentavam essas reuniões não só o IRA! e banda de Roger, Leôspa e cia, mas também As Mercenarias, Magazine, Agentss, Azul 29, Voluntarios da Patria, e para os musicistas que viveram essa época foi por conta dessa uniãos que a gravadoras perceberam o nascimento desse micro movimento em São Paulo, que ia além inclusive do que Titãs, Ultraje e outras bandas ligadas ao tal sindicato

Chega a ser irônico as escolhas de cenas das Diretas Já, onde os versos A Gente Não Sabemos Escolher Presidente eram acompanhadas de bandeiras de partidos, entre elas, muitíssimas do PT, organização que se tornou o oposto que Roger defende atualmente, mas lá estava o Utraje com João Barone dos Paralamas do Sucesso tocando bateria por conta de Leôspa estar machucado a altura do show, e eles sentiram a pressão de tocar para tanta gente e no mesmo palco que alguns políticos veteranos.

A forma e conteúdo do filme são bem divertidos, por conta não só da irreverência da banda que no auge de seu sucesso, tocava de sunga ao vivo nos programas de Raul Gil, mas também por conta da montagem que é executada por Vitor Alves Lopes. O filme tem 91 minutos, e mais de quarenta minutos dele se dedicam basicamente a gênese do conjunto até a gravação do segundo LP, Sexo, ou seja, é quase metade do filme só discutindo a primeira formação, com basicamente uma pequena alteração na função de guitarrista,

Os motivos que causaram o declínio da banda são bem explorados e explicados, especialmente por não ter sido apenas um. A explicação sobre a mudanças dos tempos é plausível, assim como a discussão sobre como funcionava a popularidade do conjunto, levando em conta conceitos como a moda musical de cada ano e década. O final do filme é um pouco melancólico de certa forma, por conta de quase não acontecer musicas inéditas após o disco Invisíveis. A fase da banda junto ao dois talk shows também é bem discutida, inclusive as críticas que são feitas pelo fato de serem uma banda de apoio do humorista e apresentador Danilo Gentilli, e apesar de o caráter do filme ser de extrema reverencia a historia do Ultraje, há um certo julgamento sim dos erros e acertos, em especial de Roger que é basicamente a alma e o cérebro da banda, e tal qual ocorreu recentemente com Barão Vermelho de Mini Kerti, é importante iniciativas como essa, pois ajudam a montar a memória do que já fez sucesso no cenário musical brasileiro, sobretudo o roqueiro.

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