[Crítica] Um Espião e Meio

Um Espião e Meio

Situado num estranho mundo onde no high school Kevin Hart é um alguém super popular e propenso ao sucesso, e Dwayne Johnsson é um menino gordinho e vítima de bullying, Um Espião e Meio se propõe a ser uma comédia leve, assim como haviam sido os filmes do diretor Rawson Marshall Thurber, Com a Bola Toda e Uma Família do Bagulho. O começo do filme mostra os personagens Calvin Joyner (Hart) sendo congratulado por seus amigos e docentes, enquanto Robert Weirdicht ou Fat Bob (The Rock em uma terrível animação em CGI) se dedica basicamente a tomar banho ao som de uma música efeminada, no vestiário do colegial. Depois de uma humilhação pública, os dois estudantes acabam tendo uma estranha ligação emocional, muito mais intensa por parte de Robert, que se manifestaria no futuro.

Na atualidade, Calvin ainda está com sua esposa Maggie (Danielle Nicolet), a mesma namorada da escola, e vive em crise tanto de trabalho como de meia-idade. De repente, se vê convidando Bob Stone para um happy hour. Stone é uma repaginação do personagem obeso mostrado no epílogo, e evidentemente tem muito mais mudanças para exibir e demonstrar diferenças, que vão muito além do upgrade em aparência, e envolvem violência e caça aos bullyers da vida adulta. Nesta parte, o mundo se ajusta à realidade vista fora do filme, com Johnson mostrando ser uma versão afável de Jason Bourne.

A dupla se dedica a retornar ao ginásio onde estudaram, reativando alguns traumas do brucutu, fazendo-o sentir por um momento a insegurança de estar no rabo da cadeia alimentar adolescente, ao mesmo tempo que faz Call se sentir mal por não ter correspondido às expectativas que todos – inclusive ele – tinham sobre seu futuro.

Logo, a CIA corre atrás do brutamontes, acusando-o de alta traição, e toda a verdade é supostamente revelada a Calvin, que passa a ser cúmplice de uma máquina humana de matar, só porque estendeu a mão a um sujeito carente no passado. Apesar de todas as mudanças que envolvem o trabalho incógnito de Bob, há ali uma persona que não evoluiu com o passar dos anos e a conexão com a única pessoa que foi piedosa com ele em outros tempos.

O argumento de Ike Barinholtz, David Stassen e Thurber varia entre múltiplas viradas dramáticas, emulando os bons filmes de super espião como Missão Impossível, mesclado com uma comédia que carece de um ritmo melhor desenvolvido. A morosidade da metade até o final do filme incomoda bem mais que o conjunto de clichês envolvendo superação de traumas e inversão de desconfianças.

Mesmo com esse conjunto de problemas relativos à cafonice e ao ritmo, Um Espião e Meio consegue ser uma comédia razoável, com algumas risadas previsíveis e inversões de valores interessantes. Em meio ao domínio do politicamente incorreto, o texto final consegue fazer troça com grupos que normalmente não são alvo da comédia, resultando em um filme bastante inclusivo, que enaltece um valor antigo e em desuso, que é a amizade pura e inocente.