[Crítica] Um Homem de Família

Relações familiares conturbadas não são exatamente um tema novo e original para o cinema. O mesmo pode-se dizer de produções que abordam a rotina workaholic e seus desdobramentos na vida pessoal dos envolvidos. Um Homem de Família (A Family Man) consegue a proeza de unir ambos os temas de maneira previsível, porém com boas reflexões e alguma boa lição em seu desfecho.

Os primeiros dez minutos de exibição assustam bastante e, provavelmente, farão alguns impacientes abandonarem a sessão. Acontece que, desde P.S. Eu Te Amo, Gerard Butler não protagonizou nada com muito crédito na indústria. Isso sem falar nas detestáveis e esquecíveis comédias românticas como Caçador de Recompensas, ao lado da eterna Rachel Green Jennifer Aniston. Um Homem de Família começa lembrando muito uma comédia pastelão ambientada num ambiente corporativo. Dane, interpretado por Butler, está em uma disputa particular com uma colega de trabalho, aspirando a uma promoção na empresa.

Felizmente, poucos minutos depois, o núcleo familiar é inserido na trama. Surgem então a esposa de Dane, vivida por uma Gretchen Mol muito bem em cena, e seus dois filhos. A dificuldade do casal em manter uma relação saudável é evidenciada de maneira bastante convincente. É a boa e velha história do “você trabalha demais” versus o “estou ocupado”. A incompatibilidade do casal transborda a relação meramente afetiva e esbarra até mesmo na dinâmica dos dois na cama. A coisa ganha um tom mais sério quando o filho mais velho de Dane, vivido pelo incrível Max Jenkins (Sense8), é a diagnosticado com câncer. O protagonista entra então em uma montanha russa emocional que oscila entre o bom momento no trabalho e a crise familiar gerada pela enfermidade de uma das crianças.

O roteiro de Bill Dubuque apresenta algumas inconsistências, sobretudo em seu arco inicial. Sobram clichês e faltam elementos que gerem empatia pelo protagonista logo no começo do filme. O espectador só alcança essa identificação com o personagem na metade do arco intermediário. Em contrapartida, a direção de Mark Williams é bem competente. Aliás, em diversos momentos, a sensação transmitida é a de que as soluções de direção salvaram algumas cenas mal concebidas no roteiro.

Butler desenvolve bem seu personagem. Nos momentos em que o ator precisa entregar seus melhores sentimentos, a experiência funciona. Mas, de uma maneira geral, está longe de alcançar o mesmo timbre cênico do restante do elenco. A comparação com Gretchen Mol é inevitável, já que ambos dividem a maioria das cenas do longa e a atriz simplesmente engole o ator em todas as oportunidades de diálogo entre os dois.

Um Homem de Família é uma boa escolha para assistir despretensiosamente e sem esperar algo como o cinema arte. Numa breve somatória de fatores, a balança pende mais para um lado positivo. A história em si não traz novidades, mas talvez seja uma daquelas temáticas que, de tempos em tempos, precisam ser revisitadas e expostas na tela grande.

Texto de autoria Marlon Eduardo Faria.

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