Crítica | Um Tio Quase Perfeito

Durante um bom tempo as comédias da Globo Filmes eram sinônimo de bilheterias altíssimas, com retorno financeiro para muito além do cachê dos astros globais. Leandro Hassum, Paulo Gustavo, youtubers como Kefera Buchman e afins lotavam as salas, e essa realidade mudou um pouco nos últimos anos, com arrecadações de medianas para ruins, salvo raras exceções como Minha Mãe É Uma Peça 2. Em Um Tio Quase Perfeito, de Pedro Antonio, tenta-se replicar a formula de Paulo Gustavo com seu amigo e parceiro, Marcus Majella, que vive o trambiqueiro Tony.

Um dia, Tony e sua mãe (Ana Lucia Torre) percebem-se sem saída, despejados de sua casa e sem condições de se manter, vão até a irmã do protagonista, Angela (Leticia Isnard) e imploram para ficar ali, já que estão sem teto. A contra-gosto, sabendo que ele é um sujeito irresponsável, ela aceita a presença dele, já que terá que viajar e não tem com quem deixar as crianças. A partir daí uma nova etapa começa e a jornada é composta por inúmeros clichês de inversão de expectativa.

Tony é um sujeito aparentemente egoísta e sem escrúpulos. Suas dívidas com agiotas trazem a insegurança a casa onde está, mas sua índole na verdade é de um sujeito que não sabe lidar com seu espírito livre. Apesar da maior parte das situações soarem bobas e repetitivas, há um bocado de charme na batalha que o personagem tem, graças especialmente ao carisma de Majella, que está muito bem, em uma versão moderna e um pouco afetada de Don Ramón Valdés, o Seu Madruga, de Chaves.

A redenção que ocorre com Tony soa positiva ao final, mostrando uma evolução de arco do personagem que encontra o seu lugar como mentor das crianças interpretadas por Sofia Barros, João Barreto e Julia Svaccina, ainda que tenha uma carga de melodrama barato e obviedade latente.

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