Crítica | Vozes de uma Estrela Distante

Esta curta animação do diretor japonês Makoto Shinkai usa um cenário sci-fi como pano de fundo para contar uma história extremamente cotidiana: o relacionamento à distância de dois jovens. Noboru e Mikako se conhecem desde a escola, mas ela ingressa numa espécie de exército espacial da ONU para combater forças alienígenas. A animação se passa em meados do século XXI.

O grande foco narrativo se dá com a dificuldade de comunicação entre os jovens. Mikako se afasta cada vez mais da Terra, e com isso as mensagens entre eles, trocadas via celular, demoram cada vez mais para chegar. Isso cria uma distância não só física, mas temporal entre eles.

Noboru leva sua vida comum na Terra e espera ansiosamente pelas mensagens de Mikako. Com o passar dos anos, ele começa a perceber que, talvez, o melhor caminho seria seguir em frente e não apostar na volta da amada.

Um elemento interessante é que Mikako pilota um robô gigante e trava batalhas violentas contra os alienígenas, porém ainda veste a roupa de colegial. Talvez o diretor quis mostrar que ela ainda possui um vínculo com a Terra, ou até uma maneira visual de representar que seus pensamentos ainda estão aprisionados naquela longínqua época que convivia com Noboru.

A parte visual é muito bonita, o que é corriqueiro nas obras de Shinkai. Os momentos de batalha são muito interessantes, mas em momento algum isso ganha o foco da história. Tudo gira em torno da saudade do casal, progredindo da forma mais melancólica possível.

Vozes de uma Estrela Distante é uma obra singela, até simples, mas esbanja bom gosto e sensibilidade. É uma excelente porta de entrada para as obras de Shinkai, que geralmente aborda temas cotidianos e comuns de maneiras interessantes e menos óbvias que a esmagadora maioria do audiovisual.

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