Crítica | X-Men: Primeira Classe

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É consenso dizer que Christopher Nolan elevou o nível dos filmes de super-herói, com Batman Begins e principalmente O Cavaleiro das Trevas. Todo mundo tem que se esforçar pra parecer bom diante deles. Pois bem, amigos: a coisa acaba de ficar mais complicada. Se a Fox, produtora que mais errou nesse gênero, conseguiu fazer um filme tão bom quanto X-Men – Primeira Classe, ninguém mais tem desculpa NENHUMA pra nos apresentar as bombas a que estamos acostumados.

O longa dirigido por Matthew Vaughn estreou no dia 3 de junho e vem tendo uma repercussão bastante positiva. Surpresa, pois sejamos sinceros, ninguém botava a menor fé nesse 5º filme da franquia X. Mais uma prequência? E sem Wolverine, meu Deus do céu? E essas imagens de divulgação totalmente toscas? É claro que isso nunca vai dar certo… ah, como bom estar enganado. Pois justamente no fator reinício é que começam os acertos do filme.

Ao situar a trama nos anos 60, época em que os mutantes surgiram nos quadrinhos, a questão do preconceito e do temor em relação aquilo que é diferente parece se encaixar melhor. A escolha da época permitiu também focar nos personagens que são de fato o centro de X-Men (nada de Wolverine, seu massa véio) Magneto e Professor X. Ou melhor, Erik e Charles. O filme é deles. Vemos os dois jovens tendo vidas bem distintas; um sofreu na pele com o Holocausto e é consumido pela fúria e o desejo de vingança, enquanto o outro é um acadêmico promissor, altamente  ingênuo e idealista. Do primeiro encontro, surge uma improvável amizade, pois eles têm algo em comum. São mutantes, o próximo passo na evolução.

Voltando à ambientação, estamos no auge da Guerra Fria, a tensão entre EUA e União Soviética está cada vez maior… com uma certa ajuda de Sebastian Shaw, outro mutante (ligado ao passado de Erik) que deseja uma guerra nuclear pra desencadear a ascenção de sua raça. Temos a participação da CIA, a Crise dos Mísseis de Cuba, tudo muito bem costurado com o surgimento dos primeiros mutantes. A tal da “Primeira Classe” dos X-Men é formada por Banshee, Destrutor, Fera, Angel, Darwin, Angel, e Mística (apresentada como irmã de criação de Xavier). Em sua maioria, buchas, mas têm seus momentos, ajudando a compor o cenário sem ofuscar os dois astros principais.

Aliás, todos os aplausos para James McAvoy (Charles Xavier) e Michael Fassbender (Erik Lehnsher). Excepcional trabalho dos dois na construção dos personagens que já conhecemos, mostrando algo de novo e ao mesmo tempo a semente do que está por vir. Outro que merece destaque é Kevin Bacon, muito estiloso no papel de Shaw. Atrizes de certo renome, January Jones (Emma Frost, braço direito do vilão) e Rose Byrne (Moira McTargget, agente da CIA e interesse romântico de Charles), ficam no feijão com arroz. O resto do elenco trabalha bem no espaço  que têm, ninguém chegando a comprometer.

Aliás, merece uma menção especial a Mística vivida por Jennifer Lawrence. Não por atuação, mas porque a personagem tem um desenvolvimento muito interessante durante a história. O roteiro, por sinal, é o grande trunfo do filme. Bastante coeso, com um ritmo rápido sem ficar forçado ou corrido. Como não poderia deixar de ser, temos ação, humor, drama, etc, muito bem dosados. Aliás, a ambientação na década de 60 deu um certo charme meio James Bond pra história. Vale destacar algumas aparições especiais, uma delas de levar a galera à loucura. Como pontos fracos, os efeitos visuais deixaram um pouco a desejar, principalmente na forma diamante de Emma. Ah sim, os dois capangas de Shaw (Azazel e Maré Selvagem) estão lá apenas pra fazer figuração, mas isso não chega a incomodar.

X-Men – Primeira Classe é uma grata surpresa, sem dúvida um dos melhores filmes de 2011, e sim, o melhor filme da franquia. E sem Wolverine… certo?

Texto de autoria de Jackson Good.