Cinema

Crítica | On Yoga: Arquitetura da Paz

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Documentário surpreendente, On Yoga: Arquitetura da Paz é baseado no livro homônimo do fotógrafo Michael O’Neill, e começa com os exemplos de alguns artistas imortais do cinema, como Orson Welles, Martin Scorsese, Leonardo DiCaprio com o artista falando deles, de pessoas com quem trabalhou ao longo de sua enorme carreira. Não demora a acontecer um mergulho no tema proposto no título, com viagens do mesmo pela oriente, a fim de mostrar em tela os temas que levantou no livro.

O’Neill é um personagem muito forte por si só. Suas viagens e cobertura pelos detalhes da prática da yoga são muito bem vindas dentro do filme, já que o mesmo se aventura junto ao diretor Heitor Dhalia, de Cheiro do Ralo, Serra Pelada e À Deriva. O modo como o cineasta escolhe registrar suas imagens é tão poético quanto o ideal por trás do pensamento de meditação.

A câmera de Dhalia se infiltra na intimidade dos entrevistados, e consegue atingir momentos épicos dentro dos 93 minutos de exibição. As falas dos personagens são profundas e causam sensações fortes na audiência que assiste ao longa. Há semelhanças demais entre esse e os produtos de Eryc Rocha, em especial Cinema Novo e Campo de Jogo, que são filmes que falam de eventos diversos, um popular como o futebol e outro de segmento que é o movimento cinematográfico e que conseguem através de sequências herméticas contar suas historias e provar seus pontos. Yoga – Arquiteturas da Paz parece ser um primo desses dois.

Apesar de todo o papo institucional e da propaganda relativa a meditação, há que se destacar todo o caráter artístico do filme, que se debruça de modo muito belo e sensível sobre a obra a O’Neill e suas convicções espirituais, exemplificando pela experiência milenar oriental o quão proveitosa pode ser a prática da yoga. O filme poderia ir facilmente para um lado parecido com o dos documentários Zeitgeist e Uma Verdade Inconveniente, no sentido de ao final apresentar uma formula mágica para a solução dos problemas globais, mas não o faz, é sóbrio, econômico e resoluto em todos os temas propostos.

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Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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