Entrevista: Arnold Schwarzenegger

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O astro de cinema Arnold Schwarzenegger participou de uma entrevista coletiva no Rio de Janeiro, no Copacabana Palace, para divulgação de seu novo filme O Exterminador do Futuro: Gênesis. Diante das perguntas dos jornalistas, periodistas e críticos de cinema brasileiro, esbanjando simpatia e verborragia, o ex-governador da Califórnia falou sobre política, sucessão de atores de filmes de ação e suas continuações, e discutiu a musculação na meia-idade como forma de se manter ativo.

Como foi trabalhar com uma nova Sarah Connor, vivida por Emilia Clarke?

Emilia Clarke faz os homens babarem, não só por sua beleza estonteante, mas também por seu talento. O sucesso em Game of Thrones a credenciou para participar da franquia, mas seus esforços foram muito além da simples fama. A sua predileção em meio ao treinamento físico revelava um esmero enorme, especialmente nas cenas com pesos e armas, onde sua evolução era vista gradativamente, apesar das dificuldades. Acho-a uma excelente escolha para o papel, respeito-a enquanto artista.

Como é agir como herói de ação com 67 anos?

Bom, como disse anteriormente, não me sinto obsoleto. Meu personagem é especial, e o roteiro me apóia nisto. A máquina só envelhece na casca, feita de tecido que emula a humanidade. Por ser uma máquina de matar perfeita, é preciso que eu faça ginástica todos os dias. Tive de engordar cinco quilos para igualar ao meu peso de 1984. Mas a maior novidade é a missão invertida daquela vista no primeiro filme de James Cameron, onde deixo de ajudar as máquinas para juntar as forças com a humanidade.

No processo de espera, o que faz o Exterminador?

O papel de T-800 é mais sutil: se infiltra, age como humano e tenta aprender a sorrir, como ocorreu no O Exterminador do Futuro 2. A gargalhada se assemelha a de um cavalo de tão caricata, mas vai evoluindo com o tempo. O Exterminador passa a se compadecer dos humanos, evoluindo com eles, e grande parte desse estimulo vem da música de Hans Zimmer.

Como é reencontrar o personagem?

Não foi difícil,  é como andar de esqui após o verão acabar, você não esquece. Eu também não esqueço como fazer o personagem que me fez famoso. O mais difícil era gravar cenas de disparos, um trabalho árduo, já que eu não poderia piscar, porque uma máquina não piscaria,  e sequer se assustaria com o barulho.

Como trata a tecnologia na sua vida pessoal?

Em primeiro lugar, em 84 não se imaginava fora da fantasia uma disputa entre homem e máquina. E hoje, finalmente, isso ocorre e levamos a pior. Não consigo ganhar uma partida de xadrez do meu iPad. A realidade das máquinas convivendo com a humanidade é presente e mais próxima do que se viu nos roteiros de Cameron, um visionário.

Depois de voltar com Conan e com a continuação de Irmãos Gêmeos, levando em conta a falta de tempo, você pretende voltar à política?

É uma honra voltar [o astro diz sua famosa frase “I’ll be back”, arrancando gargalhadas da plateia]. Conan foi um filme expositivo, fico lisonjeado por poder retornar à franquia. Estou verdadeiramente agradecido com a enorme confiança em mim. Trigêmeos (anunciada continuação de Irmãos Gêmeos) será engraçadíssimo, até por causa da mistura. Pelo grande número de projetos me dedico ao trabalho de ator, inclusive em matéria de manter a forma.  Já ouvi muitos nãos desde os tempos de fisiculturismo na Áustria, até mesmo pela falta de tradição do país. Me deixaram com medo, mas superei. Diziam que eu jamais seria o ator principal e tentavam me alertar dizendo “olha o seu sotaque, olha o tamanho do seu nome”. Não levei isso em conta, usei isso pra me fortalecer. É importante não dar atenção às negativas. Se o homem tem um sonho, ele deve persegui-lo.

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Ao final, o ator declarou amar o Rio de Janeiro, revelando que fez questão de passar pela cidade para falar sobre seu novo projeto, já que é íntimo da cidade carioca desde os anos 1970. Descontraído e desenvolto, Schwarzenegger fez revelações interessantes, como os bastidores das gravações de O Exterminador do Futuro original:

“Tá vendo aquele carro, com explosivos? Vou te filmar – dizia James Cameron a ele – no momento que você bater, vai explodir, dai você liga o carro. No meio do tráfego de Hollywood Boulevard. Eu ia, começava a andar como Terminator e todos me olhavam esquisito. Eu entrei no carro para dirigi-lo. Não tinha licença nem para filmar nas ruas que usávamos de locações. Eram outros tempos.”

Arnold ainda fala sobre a política do Brasil: diz que se fosse governador no país iria buscar conciliação, o melhor para o bem estar geral. Não se dedicar ao partido, mas sim, ao povo, já que enquanto executivo eleito dizia ser odiado por conquistar o amor do povo californiano. Após elogiar a organização da Copa do Mundo e afirmar que acredita estar vindo outro espetáculo nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, Schwarzenegger declarou novamente seu apreço pelo país, a despeito de uma polêmica sobre turismo sexual no Brasil alguns anos atrás. É visível o amadurecimento do Terminator após uma extensa carreira de ator, ex-fisiculturista e ex-político.

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