Festival Do Rio 2018 | Balanço Geral – Parte 1

Esse ano o Festival do Rio foi menor, lançado em novembro ao contrário de sua tradição de ocorrer nos meses de outubro. O número de filmes também foi reduzido em relação aos anos anteriores, ainda assim com uma seleção bastante interessante, não só por parte dos filmes estrangeiros como também do próprio circuito nacional.

Meu Nome é Daniel (Daniel  Gonçalves, 2018)

Documentário autobiográfico, o filme de Gonçalves é extremamente inspirador e econômico, mesmo ao falar de histórias tão difíceis da vida do personagem retratado. Conversamos em uma entrevista com o diretor, onde o cineasta fala a respeito do processo de realização do documentário.

Torre das Donzelas (Susanna Lira, 2018)

Ponto alto da filmografia de Susanna Lira, o documentário investiga a história das mulheres que foram presas no lugar que dá nome ao filme. Também entrevistamos a diretora, onde ela fala sobre um pouco sobre a produção e as dificuldades de fazer seu filme, que por sua vez, é bastante emotivo e profético.

Ilha (Ary Rosa e Glenda Nicácio,2018)

Longa brasileiro que mostra uma história inusitada que envolve rapto, abuso, síndrome de estocolmo e um amor bastante confuso. É ligeiramente melhor construído que o último filme da dupla Ary Rosa e Glenda Nicácio (Café com Canela), mas simplesmente não justifica o prêmio de melhor roteiro (Festival de Brasília) para o Rosa, assim como foi com o filme anterior nos festivais por onde passou.

As Viúvas (Widows, Steve McQueen, 2018)

McQueen volta em um filme com roteiro de Gillian Flynn. Belíssimo thriller que mostra mulheres que se recusam a ser vítimas da sociedade e do meio que as cerca, tomando para si o ofício de seus falecidos maridos. Viola Davis dá um show de atuação.

Eleições (Alice Riff, 2018)

Documentário sobre as eleições do grêmio estudantil de uma escola de São Paulo. Comandado por Alice Riff, a mesma de Meu Corpo é Político, bastante diferente desse mas igualmente certeiro dentro da proposta de mostrar paralelos com a vida político-eleitoral brasileira.

Socrates (Alex Moratto, 2018)

Filme suburbano e periférico, feito por aspirantes a arte cinematográfica, é uma jornada bastante confusa do protagonista, descobrindo a vida, os sentimentos e as necessidades básicas. Bastante emocional e belo.

Humberto Mauro (André di Mauro, 2018)

Documentário sobre o cineasta Humberto Mauro, feito por um aficionado por seu cinema. É claramente um produto feito para quem já conhece a carreira de Mauro. Tem bons elementos, mas acaba sendo bastante voltado aos conhecedores da filmografia do biografado.

A Costureira de Sonhos (Sirm, Rohena Gera, 2018)

História sobre uma empregada indiana que descobre seus sonhos ao se aproximar do seu patrão. Apesar dos clichês iniciais de contos de fada, toca em assuntos polêmicos e discute os detalhes da sociedade da Índia, separada muitas por vezes por castas e classes muito bem definidas.

Miriam Mente (Miriam Miente, Natalia Cabral, Oriol Estrada, 2018)

Grata surpresa do cinema da República Dominicana, mostra o dia dia de meninas adolescentes que vivenciam a puberdade sem grandes pretensões, ao mesmo tempo em que desenha um cenário bastante hostil às pessoas negras, onde os preconceitos se afloram. Exibido na semana da Crítica de Cannes.

Obscuro Barroco (Evangelia Kranioti, 2018)

Documentário focado em Luana Muniz  (in memorian), a mulher responsável pela frase “travesti não é bagunça”. Tem a intenção de ser um evento sobre a cidade do Rio de Janeiro também, mas soa pretensioso demais em quase tudo que expõe.

O Peso do Passado (Destroyer, Karyn Kusama,2018)

Filme de ação de Karyn Kusama, onde Nicole Kidman brilha bastante, mas ainda assim não foge da mediocridade de sua carreira. Vale pela violência explícita e certamente estará nas sessões futuras do Supercine nos sábados a noite.

Deslembro (Flavia Castro, 2018)

Ficção de Flavia Castro, a mesma diretora de Diário de Uma Busca. É bonito, terno e poético ao falar de uma família em crise que retorna ao Brasil nos anos de chumbo. É (infelizmente) bastante atual e tem atuações soberbas vindas de um elenco não tão famoso, exceção é claro a Eliane Giardini e Jesuíta Barbosa.

A Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos (João Salaviza e Renee Nader Messora, 2018)

Bela ficção em coprodução Brasil/Portugal. Protagonizado por índios e quase todo falado pelo dialeto deles. Mostra o quanto o homem branco ainda trata mal os nativos brasileiros, além de ter um roteiro carregado de poesia.

Vidas Duplas (Doubles Vies, Olivier Assayas, 2018)

Olivier Assayas fala de muitos temas através da vivência super atrapalhada dos seus personagens carismáticos, em um filme que apesar de não ser exatamente cômico, soa como uma comédia de erros que acerta em praticamente todas as piadas que faz, ainda traz um elenco afiado e que dá importância aos dramas pequeno burgueses de seus personagens.

Grass (Hong Sang-s00, 2018)

Mais uma vez Sang-soo faz um filme de diálogo, dessa vez metalinguístico, ao mostrar uma escritora observando personagens avulsos conversando sobre suas vidas. Traições, ciúmes, amargura e ressentimento permeiam a história do longa coreano.

Rogéria: Senhor Astolfo Barroso Pinto (Pedro Gui, 2018)

Mistura de documentário e ficção que reverencia demais a artista e pessoa de Rogéria, que infelizmente se foi antes do filme estar terminado. Apesar de alguns percalços o filme soa emocional e uma ode à figura da artista.

Tyrel (Sebátian Silva, 2018)

Mostra a vida de Tyrel, vivido por Jason Mitchell, um rapaz que vai a uma viagem com um grupo de amigos e percebe o quão infantis, preconceituosos e impulsivos eles são. Causa um incômodo tremendo, e muitas pessoas o compararam a Corra!, ainda que as semelhanças entre eles se deem apenas na discussão racial.

Uma Noite Não é Nada (Alan Fresnot, 2018)

Protagonizado por Paulo Betti, mostra o dia a dia de um professor com uma vida pacata e monótona e tem isso mudado com a chegada de uma aluna fogosa e de passado e presente misteriosos. Fresnot apresenta uma história pouco convencional e que tenta chocar o tempo todo, mas nem sempre consegue esse intuito, soando sensacionalista a maior parte do tempo.

Operação Overlord (Overlord, Julius Avery, 2018)

Divertido filme de ficção cientifica e terror sobre a segunda guerra, que exagera algumas verdades a respeito das experiências cientificas dos nazistas nos judeus. Tem muito gore e elementos das histórias em quadrinhos e videogames. Bastante parecido com a estética de filmes de J. J. Abrams e Peter Jackson.

A Valsa de Waldheim  (The Waldhaim Waltz, Ruth Beckerman, 2018)

Documentário forte, que fala a respeito da jornada de um ex-presidente carismático antes dele chegar ao posto de comandante em chefe, onde se levanta o seu passado como suposto soldado nazista na Áustria. Tem conexões muito fortes com um político brasileiro recém-eleito e causa um certo embaraço em quem assiste, também pela apreensão externa ao filme.

Leia mais: Parte 2 | Parte 3 (em breve).

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