Disney | O processo que custou 170 milhões aos estúdios de animação chega ao fim

Disseram que não poderia ser feito, mas parece que os profissionais de animação conseguiram vencer uma briga judicial de três anos contra o Walt Disney Animation Studios, Pixar e Lucasfilm, que aceitaram o acordo de 100 milhões na ação coletiva em curso envolvendo roubo de salário e reivindicações de má conduta.

Os três responsáveis pela Walt Disney Company se apresentaram nessa quarta feira na corte do distrito da Califórnia do norte para aprovar o acordo entre as duas partes. Se o acordo for aprovado pela corte, estará cada vez mais próximo de bem sucedida uma ação que trouxe á público um esquema artificial que mantinha o custo de funcionários de animação por um baixo custo. A acusação alegou que os estúdios em questão além de restringir a competição fixavam valores de compensação para seus empregados, e mais crucial, se abstiveram de solicitação de compensação de outros funcionários, em violação da lei federal de má conduta e da Califórnia Business and Professions Code.

O que ocorria é que muitos desses estúdios estavam desenhando uma conspiração para definir limites de salários e evitar contratar artistas de outros estúdios, evitando assim o mercado livre para as habilidades e talentos de seus artistas. Os envolvidos no esquema incluem os maiores nomes da indústria de entretenimento e tecnologia, como o presidente da Pixar e Disney, Ed Catmull, a lenda da Apple Steve Jobs, o fundador da DreamWorks Animation, Jeffrey Katzenberg e o criador de Star WarsGeorge Lucas.

O processo cresceu originalmente fora do departamento de justiça e investigação dos EUA, numa situação semelhante envolvendo o mesmo tipo de prática ilegal na indústria de alta tecnologia, envolvendo também grandes nomes como Google, Apple, Intel, e Adobe. Esse processo gerou um acordo de $415 milhões de dólares. Foi o depoimento do próprio Ed Catmull durante esse caso, bem como a revelação de certos e-mails que alertaram Robert Nitsch, David Wentworth e Georgia Cano que eles também podem ter sido vítimas desse esquema corporativo.

Em setembro de 2014, Nitsch ao lado de seus advogados planejaram sua ação na justiça e em dezembro do mesmo ano consolidaram suas reclamações ao lado de Wentworth e Cano no processo. Após um ato falho devido ao estatuto de limitações os três resolveram reviver o processo em agosto de 2015, definindo as exigências com a Sony, Blue Sky e DreamWorks Animation ano passado.

Agora a justiça conclui num clímax marcante e memorável que o valor final a ser pago terá um aumento de será de 140% do que o proposto. O total chega a quase $170 milhões sendo 50 da Dreamworks Animation, $13 da Sony Pictures Animation e Sony Imageworks, e $6 da Blue Sky Studios.

O dinheiro será distribuído por acordo com a corte para um fundo dedicado aos artistas da área que trabalharam em algum dos estúdios citados no processo entre 2004-2010. O número chega a milhares.

Antes de ser aprovado, a juíza Lucy Koh vai considerar o quão justo foi o valor do acordo, a qualidade das negociações entre os envolvidos e o efeito que irá gerar dentro da indústria a notícia de tal evento para com os animadores. Os estúdios em questão, citados no processo como os “Defensores da Disney” consideraram enviar a noticia aos profissionais de animação por email/ ou email, prometendo se comprometerem a resgatar no endereço de cada nome envolvido sua compensação dentro da divisão do valor para cada um dos funcionários.

O final dessa história só ocorrerá de verdade dia 9 de março. Porém é com muita esperança que noticiamos aqui essa boa noticia de um terrível episódio que ocorreu por debaixo dos panos, lembrando aos estúdios de animação que seus funcionários são trabalhadores e precisam ser tratados de maneira justa.

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Fonte: Brian Gabriel, Cartoonbrew