Resenha | Homem-Aranha: Negócios de Família

A mistura de Homem-Aranha com espionagem internacional talvez não seja a das mais comuns nos quadrinhos. Francamente, não me recordo de uma história com essa mistura. Caso alguém lembre, deixe aqui nos comentários. Já estou meio velho e a memória não é mais a mesma de outros tempos. Enfim, em Negócios de Família, a proposta dos roteiristas Mark Waid e James Robinson é essa. Se funciona? Funciona. Muito bem, por sinal.

Na trama, Peter Parker se envolve em um sequestro realizado por um misterioso time de elite e termina sendo salvo por uma mulher que se diz chamar Teresa Parker e seria sua irmã. A dupla é perseguida devido ao fato de serem filhos de Richard Parker, que todos já devem saber que era um espião internacional. Caçados por meio mundo e ainda pelo Rei do Crime, a dupla precisa trabalhar junta para resolver uma conspiração que pode abalar o planeta ao passo que vão descobrindo cada vez mais sobre o passado de seu pai. Ainda no meio disso, o Cabeça de Teia se vê em um dilema. Seria sua irmã uma pessoa confiável ou uma futura inimiga?

O roteiro de Mark Waid e James Robinson é ágil e lotado de referências a grandes filmes de espionagem. Talvez o melhor momentos seja o do cassino, onde Peter tenta emular James Bond, porém sem a mesma classe do espião britânico. Nos momentos em que precisa ser mais dramático, o texto não fica piegas ou soa forçado. Pelo contrário, é de bom gosto. A dinâmica entre os dois irmãos é bem natural e um complementa bem o outro, até mesmo por traços semelhantes de personalidade. Os roteiristas se deram ao cuidado de incluir alguns momentos onde Peter se sente mais próximo ao pai, devido a algumas revelações sobre sua personalidade. Entretanto, a história é prejudicada por ser breve demais. Contendo só 99 páginas, o desenrolar da história vai ficando um tanto apressado e as relações humanas vão ficando prejudicadas. Uma pena porque a riqueza da premissa da relação entre os dois irmãos poderia render bem mais sem causar dano à ação.

Um ponto positivo que faz uma grande diferença são as ilustrações da dupla Werther Dell’ Edera e Gabrielle Del’Otto. Werther capta muito bem as intenções dos roteiristas, enquanto as cores vivas de Dell’Otto complementam as ilustrações criando painéis de uma beleza única. o estilo torna a história fluida, fazendo com que ela pareça estar em movimento diante de seus olhos, tal como um filme. Nos momentos em que a ação toma grandes proporções, o duo capricha fazendo sequências empolgantes. Entretanto, existem alguns momentos em que eles se destacam: na sequência de abertura, onde o Homem-Aranha gasta seu repertório de habilidades acrobáticas em uma cena de ação que nada deve aos filmes da Marvel. A atenção aos detalhes e a coesão dos painéis daria inveja a muito diretor de cinema. O outro momento é o do cassino, onde captam o humor pretendido pela dupla de roteiristas e depois fazem uma sequência de ação digna de um grande filme de espionagem.

Porém, como eu disse, nem tudo são flores. Ainda que Negócios de Família seja uma ótima história do Cabeça de Teia, seu potencial para ser um clássico acaba esvaziado por sua curta duração. Entretanto, é uma daquelas histórias que vale a pena ter na coleção para uma releitura rápida sempre que quiser se divertir com um conto que traz o querido Peter Parker em bom momento (e não sendo trucidado pelos roteiristas de suas histórias regulares).

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