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Melhores filmes de 2013, segundo Jackson Good

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Obrigação contratual, chibata do Coronel assobiando, vontade de polemizar, ou simplesmente pra sacanear o Aoshi, que achou que seria o único a fazer um top 10 esse ano? Tanto faz o motivo, razão ou circunstância, o fato é que, pela terceira vez consecutiva, estamos aqui listando os destaques cinematográficos da última temporada. O ano de Nosso Senhor 2013 foi deveras complicado para quem entende "cinema" praticamente como sinônimo de "blockbuster massa véio tiro porrada e bomba". Muita coisa ruim, poucos filmes realmente bons, e um mar de "mais ou menos, mais ou menos" (sim, seguindo a modinha de imitar o Poderoso Castiga).

A seleção ficou um pouco (bem pouco) diversificada, no sentido de não ter só filmes de ação, e um elemento comum a várias das escolhas é um fator de homenagem a algo do passado. Falta de criatividade da indústria cinematográfica atual? Momento nostálgico da sociedade? Este redator está ficando velho? Quem se importa com esses questionamentos? Enfim, rápidas menções honrosas: Django Livre, que mostrou um Tarantino mais preocupado em se divertir do que qualquer outra coisa, resultando numa bela comédia western; Guerra Mundial Z: vale a lembrança pelo ritmo, tensão e por contar um história de zumbi diferente da estrutura clássica de "desinformados lutando pela sobrevivência"; Jogos Vorazes - Em Chamas, haters gonna hate, mas essa sequência surpreendeu ao mergulhar mais na crítica social e evoluir absurdamente em relação ao primeiro filme; Sem Dor, Sem Ganho, com o grande cineasta Michael Bay extraindo o melhor dos talentos de Mark Wahlberg e Dwayne "The Rock" Johnson.

Também não poderia faltar a clássica menção desonrosa. Não é necessariamente o pior, mas o filme mais decepcionante do ano não poderia ser outro que não Homem de Ferro 3. O Troféu Depressão 2013 nos brindou com o pior timing cômico já visto na história do cinema, vilões bipolares, criança inteligente, um roteirista que odeia o fato de Tony Stark usar uma armadura... coisas que não serão esquecidas tão cedo. Chega de enrolação e vamos finalmente para a lista, lembrando sempre que o choro é livre.

10. Se Beber, Não Case! - Parte III
Uma grata surpresa o capítulo final da trilogia do wolfpack. Diferente do segundo, um dispensável mais do mesmo, este apresentou uma estrutura diferente. Um misto de road movie com filme de ação, mas pautado na zoeira sem limites. Alan (Zach Galifianakis) faz uma jornada de amadurecimento, ou o mais perto disso que é possível pra ele, porém quem rouba a cena é sem dúvida o surtado Chow (Ken Jeong). Ainda que os outros personagens estejam mais apagados, as piadas hilárias garantem que o filme se destaque enquanto comédia.

9. O Último Desafio
Não podia faltar um representante dos brucutus da velha guarda nessa lista. Arnold Schwarzenegger protagonizando um filme depois de um longo tempo, naturalmente produz expectativa e O Último Desafio não decepcionou. Divertido, seguindo um pouco a linha de Os Mercenários, a ação divide espaço com o humor. Brinca-se com a idade avançada do herói, mas confirma-se que, na hora do vamos ver, ele ainda é o cara. Também vale mencionar as presenças do orgulho nacional Rodrigo Santoro (com provavelmente seu recorde de falas em Hollywood) e da belezinha Jamie Alexander.

8. O Hobbit: A Desolação de Smaug
Peter Jackson e sua jornada épica de transformar um livro de 300 páginas em três filmes de quase três horas cada. Altos e baixos marcaram este segundo capítulo, que sofre brutalmente da maldição do "filme do meio". O ritmo ficou bem mais ágil, mas o final anticlimático e as diversas inserções na história original irritaram até os fãs que defenderam Uma Jornada Inesperada. Mas é preciso frisar que a primeira parte já deixava bem claro que a intenção sempre foi a de construir uma "Nova Trilogia", muito mais do que adaptar o livro O Hobbit. Dessa forma, Legolas e Tauriel ajudaram a conferir recheio à trama e renderam ótimas sequências de luta. E o fator "curtir uma viagem pela Terra-Média" ainda é forte e garante uma posição neste Top 10.

7. Gravidade
Desorientador, angustiante, imersivo, reflexivo... Gravidade foi uma das produções mais elogiadas do ano, com todo o merecimento. Uma mulher lutando pela sobrevivência e no processo recuperando, de fato, a vontade de VIVER. Um roteiro extremamente simples engrandecido pela direção fabulosa de Alfonso Cuarón. Todo o visual do espaço é muito bonito, e as longas sequências sem cortes são qualquer coisa de SENSACIONAL. E Sandra Bullock faz um ótimo trabalho, é justo mencionar. Agora, é um absurdo Gravidade não estar numa posição melhor? Amigo, um filme de Oscar presente nesta lista, isso sim é surpreendente.

6. Rush - No Limite da Emoção
Uma pena este ter passado um tanto despercebido. Filmes sobre esporte/competição já tendem a ser empolgantes, e Rush vai além, preocupando-se em desenvolver os personagens antes da disputa propriamente dita. No caso, a célebre rivalidade entre os pilotos James Hunt e Niki Lauda, culminando na briga pelo Mundial de Fórmula 1 de 1976. A reconstrução de época (em que o sexo era seguro e as corridas eram perigosas) é impecável, as cenas nas pistas são incríveis e os atores Chris Hemsworth e Daniel Brühl mandam muito bem, dentro das exigências de cada personagem. Mas o coração do filme é mesmo a mensagem de que rivalidade não é sinônimo de inimizade, e que pessoas completamente diferentes podem ter algo em comum e compreender umas às outras.

5. Detona Ralph
Animações não são muito minha praia; quando uma realmente me chama a atenção, é porque ela possui algo de especial. Detona Ralph sofreu algumas críticas injustas, de marmanjos que aparentemente esperavam ver um documentário com citações detalhadas e minuciosas dos games de suas infâncias. Eles esqueceram que o público principal eram as crianças de hoje, e o filme precisava ser feito primeiramente para elas. Além do fato de que a história tinha de ser sobre os personagens do filme e seus universos. O resultado foi mais do que satisfatório. Para a galera mais velha, há vários easter eggs sobre games clássicos que já valem o filme. Além disso, vimos personagens muito carismáticos e uma trama divertida, emocionante, e com boas mensagens para a garotada, no melhor estilo Disney. Detona Ralph não deve absolutamente nada aos tão celebrados filmes da Pixar.

4. A Morte do Demônio
Se apresentou como remake, assumiu uma postura de reboot e acabou sendo uma continuação (olha o spoiler). Independente de como seja classificado, A Morte do Demônio revelou-se como uma das mais gratificantes experiências cinematográficas de 2013. Dirigido pelo novato uruguaio Fede Alvarez (com o produtor/mestre Sam Raimi fungando em seu cangote, com certeza), o filme atingiu um equilíbrio que poucas produções nessa situação conseguem. Absoluto respeito e reverência pelo original, mas com uma sólida identidade própria. O humor galhofa que marcou a franquia foi deixado de lado, com a abordagem da história em si ficando mais séria. Mas o terror gore, trash, de filme B permaneceu, com litros e litros de sangue, mutilações, MOTOSSERRA. Em tempos de politicamente correto, PG-13, militância de todos os tipos imagináveis, ver um filmes desse no cinema não tem preço.

3. Além da Escuridão - Star Trek
Seu nome já está desgastado quando o assunto é televisão, mas no cinema J. J. Abrams tem toda a moral possível. Depois de ter transformado Jornada nas Estrelas em um blockbuster, ele volta para fazer a sua versão do filme mais querido da franquia. Talvez alguns fãs mais xiitas tenham se decepcionado, mas é inegável que mais uma vez tivemos um grande filme. A história é tão bem amarrada que o ritmo não cai nem nos momentos mais calmos, em que a tensão permanece. Visual fantástico, cenas de ação de tirar o fôlego, alívios cômicos bem colocados e um elenco muito inspirado. Destaque, claro, para o vilão vivido por Benedict Cumberbatch. Um universo tão bem estabelecido (herança do filme anterior) que os personagens acabam sendo familiares, velhos amigos. Diante do foco em Kirk e no vilão, o resto do elenco, e até mesmo Spock, teve participação reduzida.

2. O Homem de Aço
Você percebe que 2013 foi um ano muito errado quando se dá conta de que nenhum dos quatro filmes baseados em personagens da Marvel aparece nesta lista. E que a DC levou a medalha de prata. Expectativas e controvérsia marcaram o novo filme do Superman, que se preocupou em reformular consideravelmente o herói, encaixando-o nos novos tempos cínicos e sombrios. Saiu o modelo de perfeição, o Jesus Cristo que desce dos céus para nos salvar sem cometer nenhum erro, e entrou um cara com poderes quase divinos, mas com mentalidade humana. Inexperiente, falho e hesitante, tentando ser o melhor possível e descobrindo a dificuldade disso. Mais um caso em que alguns fãs se espernearam (sem razão), pagando de desinformados ou esperando outro Superman Returns. Ainda bem que a ideia era o oposto: cenas de luta e destruição lindamente executadas, mostrando as reais consequências de superseres daquele nível se esmurrando num ambiente urbano. Alguns deslizes de roteiro, mas de maneira geral é um filme excelente dentro do que ele propôs.

1. Círculo de Fogo
Oh, que surpresa #soquenao. Mais um exemplo em que a palavrinha mágica "proposta" é a chave. Um drama não pode ser avaliado pelos mesmos critérios que uma comédia. Trocam-se os gêneros por quaisquer outros e essa afirmação continua válida. "Cinema" é algo muito amplo e diversificado, não pode ser enquadrado em normas rígidas e absolutas. Nesse sentido, Pacific Rim se assemelha a Os Mercenários. Analisados sob perspectivas comuns de atuações, profundidade, originalidade, lógica, ambos seriam filmes muito falhos. Mas é aqui que se separam aqueles que têm alma daqueles que apenas caminham sobre a Terra. Guillermo Del Toro entregou uma maravilhosa homenagem, uma declaração de amor a um gênero muito específico, com raízes japonesas, da cultura pop. Robôs gigantes descendo a porrada em monstros gigantes, tudo com um visual fantástico e uma trilha sonora fora de série. E um roteiro não ruim ou inexistente, mas muito preciso e competente. Clichês e previsibilidade são parte da brincadeira. Me repetindo mais que episódio do Chaves (homenagem mexicana, sacaram?), pois empolgação é sempre o fator supremo desta lista: em 2013 os jaegers e kaijus esmagaram fácil qualquer concorrência.

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Texto de autoria de Jackson Good.

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