Review | The Legend of Dragoon

O saudoso Playstation 1 jaz em seu túmulo de prata desde 2005. Foi obrigado a abandonar milhões de gamers quando seu irmãozinho mais novo ficou mais alto e bombado que ele. Este post é minha singela homenagem ao PSone e ao MELHOR JOGO DE RPG JÁ PRODUZIDO POR UM SER-HUMANO.

Quem gosta do gênero certamente já jogou vários títulos da franquia Final Fantasy, chegou a alguns finais de Chrono Trigger, zerou Breath of Fire e curtiu Secret of Mana, Disgaea, dentre outros. Não estou listando aqui os jogos de PC(Diablo, NeverWinter Nights, The Elder Scroll, Vampire the Mascarade Redemption) e nem os MMOs (WOW, Ultima Online, Lineage, etc…) para não diminuir ainda mais a lista de fanáticos exclusivamente por este estilo de jogo.

Quem é fã deste gênero certamente há de se lembrar de meu jogo preferido: Legend of the Dragoon. Eu, pelo menos, não consigo pensar em outro RPG que se equipare a este game em construção de personagem, história e sistema de batalha. Quem já experimentou o jogo deve se lembrar muito bem de todos os quesitos e como a Sony os desenvolveu com maestria rara para a época. Talvez seja exagero meu influenciado pelo saudosismo que  o PSone inspira nos mais velhinhos, mas eu me lembro muito bem de vários detalhes do jogo e vou reafirmar: Melhor jogo produzido até hoje!

Legend of the Dragoon foi produzido pela própria Sony, e juntou uma equipe de mais de 100 pessoas durante três anos e meio. Os desenvolvedores da empresa trabalharam para produzir um enredo coerente e bem construído, um sistema de batalha ÉPICO e que deveria ter sido copiado por todos os jogos de RPG posteriores a ele e as mais lindas e inacreditavelmente detalhistas cut scenes(para a época, inigualáveis). De cara, quando você iniciava o jogo, via isto aqui:

Essa sequência de abertura é muito empolgante. Música, detalhes gráficos das cutscenes como nunca havia visto antes me fizeram ficar apaixonado pelo título em minutos.

No início do jogo você controla o personagem principal do enredo: Dart, um mercenário que teve a família assassinada quando ainda era criança por uma entidade conhecida apenas como Black Monster. Durante a destruição de sua vila natal, Dart é abandonado em segurança enquanto seus pais voltam para enfrentar o monstro que destruía a cidade. Após a batalha, o garoto retorna à cidade mas não encontra mais os parentes, presumidamente mortos. Dart jura vingança e parte em uma viagem épica atrás de informações sobre o monstro que desaparece e, por anos após o evento, não é mais visto em lugar algum.

A história do jogo é baseada em uma mitologia própria, que conta histórias sobre os Winglies e sua guerra contra os humanos conhecida como Dragon Campaign:

A lenda conta, ainda, sobre uma criança escolhida que teria o poder de reviver os Deuses na Terra, e sua relação com o terrível Black Monster:

A história é bem contada, e amarra todos os personagens da trama além de, na minha opinião, ser pouquíssimo óbvia. A grande qualidade do jogo é o sistema de batalha, já que uma das coisas que mais irrita em jogos de RPG baseados em turn combat, em qualquer console, é a falta de imersão durante as batalhas. Na imensa maioria deles (todos os outros que joguei, pelo menos…) você fica apertando apenas um único botão como um maníaco até a batalha terminar ou o seu controle parar de funcionar. É assim com qualquer um dos aclamadíssimos Final Fantasy(até mesmo os últimos dois podem ser jogados desta forma), com Breath of Fire, com Monster Quest e até com Chrono Trigger(apesar das combinações de magias surtirem muito mais efeito que apenas apertar X incansavelmente). Você pode tranquilamente farmar XP sem prestar atenção nenhuma no jogo. Pode apenas ligar o Auto-Battle(nos jogos em que esta opção não existe, você pode usar o “Button-Slash-Battle”) e colher os pontos de experiência e itens que precisar. Neste Jogo não.

Em Legend of the Dragon, o sistema de batalhas é baseado em turnos como os outros, mas os golpes utilizam um sistema próprio que os desenvolvedores chamam de Addition. Através deste exclusivo sistema de batalha o jogador é obrigado a prestar atenção na movimentação do personagem durante os golpes para pressionar o botão correto na hora certa, gerando combos de até oito golpes. Durante o início do primeiro golpe um pequeno quadrado aparece no alvo, ao mesmo tempo um quadro maior aparece na borda da tela. O maior gira enquanto diminue de tamanho até sumir no centro do menor. Caso o jogador consiga apertar o botão X quando os dois quadros estiverem com o mesmo tamanho o processo se repete até o final do combo e caso ele erre algum movimento, o bonus de ataque não é completado. Algumas vezes, também, o alvo tenta conter o combo, fazendo com que os quadros mudem se azul para laranja e o botão correto seja o triângulo ao invés do X. Cada addition possue uma quantidade diferente de movimentos e em velocidades diferentes, adicionando porcentagens de dano em cada golpe e uma quantidade de experiência ao próprio movimento, que pode evoluir para causar cada vez mais dano. Parece fácil não é? Vai vendo:

A transformação em Dragoon, eu me lembro, foi outra coisa que me impressionou muito, quando eu joguei LotD pela primeira vez no meu PSone. Em determinado momento, Dart e seus companheiros estão defendendo uma fortificação do reino do rei Albert quando batalham pela primeira vez contra Kongol(um gigante que depois se une ao grupo). Quando está para ser derrotado, Dart recebe ajuda de Rose e tem seu Dragon Spirit ativado pela primeira vez, transformando-se no Dragoon of the Red-Eye Dragon:

Com a ajuda do poder dos Dragon Spirits que vão coletando durante a jornada, Dart e seus amigos caminham juntos para impredir que o maléfico Lloyd junte todos os Moon Objects e ative o poder da “Lua que Nunca se Põe”(Moon that Never Sets), liberando o incontrolável poder do poderoso Black Monster.

Capa do Jogo

Todo os elementos do enredo podem parecer bem clichê hoje em dia, mas na época eu me diverti e batalhei ao lado de Dart e seus amigos durante muitas horas do meu dia. Muitas novidades em um só jogo para mim: Sistema de Batalha estupendo, cinematics maravilhosa para um console lançado em 1995, um jogo longo e com personagens bem humanos. Personagens que eram aliados e depois eram inimigos, personagens que tinham medo, protagonistas que MORRIAM…

O fato é que, hoje em dia, os aspectos técnicos do jogo podem realmente deixar a desejar. Os vídeos mudos que eram feitos com a engine gráfica do jogo, os renders demorados e todos os bugs gráficos não tiram, hoje, o brilhantismo que eu ví nesse jogo 10 anos atrás. Já joguei muitos jogos depois de Legend of the Dragoon, mas nunca mais tive uma experiência como a que tive jogando este jogo pela primeira vez. Estou jogando novamente com os discos que ainda tenho aqui em casa, até agora está tudo bem com eles, e espero que consiga chegar ao final novamente.

Dizem que, quando somos crianças, tudo parece mais mágico e fantástico. Refiz meus passos na pele de Dart recentemente e o jogo continua(talvez por culpa deste sentimento nostálgico que eu tenho em relação àquilo que eu gostei demais quando guri) com a mesma magia da qual eu me lembrava, uma década atrás.

Eu fiquei sinceramente apaixonado pelo gênero RPG com Legend of the Dragoon e, desde então, espero que a Sony aproveite essa atual iniciativa de relançar os clássicos remasterizados e faça o remake em HD deste que é um dos melhores… Não… O MELHOR jogo que já joguei na vida.

Texto de autoria de Nicholas Aoshi.