Review | Back to the Future: The Game

Lá vamos nós pra mais um review de jogo. Apesar de ser um jogo relativamente recente, (teve  seu primeiro capítulo lançado em dezembro de 2010 e o último em julho de 2011) eu o considero nostálgico.

Antes, eu quero fazer um alerta, se você é fã da trilogia de filmes, De Volta Para o Futuro, e sempre quis uma continuação ou um game que desse frente a história, sério, não perca seu tempo lendo isso, vá atras do jogo e divirta-se. Agora se está meio reticente, quer saber mais alguma opinião, entre no DeLorean e vamos ao review.

Primeiro vale dizer um pouco sobre a estrutura do jogo. Foram 5 capítulos lançados sucessivamente, cada um deles com um intervalo de 7 meses entre eles. É uma estratégia, que eu particularmente não gosto, mas é recorrente nos jogos adventure dessa produtora, a Telltale Games. Também responsável, por Jurassic Park: The Game (4 episódios). Tales of Monkey Island (5 episódios).

Um pouco sobre o jogo em si, ele é um adventure point and click, clássico, mas com estrutura simples, ou seja, não existe possibilidade de combinar itens do inventário. Sua mochila, de modo geral, permanece sempre com poucos itens, facilitando os puzzles. E que também, na maioria das vezes, não deixa você ficar rodando uma infinidade de lugares para encontrar o objetivo. Isso tem um lado bom, para os preguiçosos. Mas para aqueles que querem um desafio maior, realmente colocar a cabeça pra pensar, é no mínimo decepcionante.

Ainda sobre a estrutura do jogo e o nível de dificuldade dos puzzles, eu entendo que a nova geração, provavelmente se sentirá incomodada, com um jogo nesse estilo, com um nível de dificuldade, das antigas. Mas o jogo dispõe de dicas à vontade, pro jogador mais preguiçoso que não estiver afim de pensar, ou seja, você poderia muito bem subir a barra dos puzzles, e com as dicas facilitarem para quem assim quiser. Até porque as próprias dicas, não são apenas pistas do que se deve fazer. No terceiro nível elas literalmente falam o que você deve fazer naquela situação.

Um pouco da história, que é realmente o ponto alto do jogo, e eu não vou entregar spoilers, porque pra quem está interessado, vale a pena conferir pela história em si. Você começa, em Hill Valley, duh. Com o Doc, sumido. E a prefeitura da cidade, preparando uma venda de garagem das coisas de Carl Sagan, quero dizer Doc Brown. Ao sair da garagem dele, nosso querido DeLorean, aparece apenas com Einstein dentro dele. E a partir daí começa a aventura, entre muitas indas e vindas do passado ao futuro, e billions and billions de linhas de tempo. Com direito a vários personagens habituais, em suas versões, mais jovens, inclusive Doc Brown. O único que é sempre o mesmo, é o Eine.

Ainda com relação à história. De modo geral, ela é bastante satisfatória e divertida, passando de Hill Valley, na década de 30, presente, Brave New Hill Valley, década de 30 alternativa. Porém, na minha opinião, faltou, futuro, digamos assim. Porque entre indas e vindas, você basicamente alternará entre presente (1985) e passado (1930). Pra mim, isso tem cheiro de preguiça, ou falta de orçamento da produtora, mas que no fim das contas, deixa o terço final do jogo, mais como uma busca para chegar logo ao final, com apenas alguns momentos de história, realmente legais. Dando a impressão de “vamos alongar um pouco a história, a toa, só pra poder fechar mais um capítulo e caçar mais algumas moedas“. Isso sempre considerando os 5 capítulos como um jogo só.

Outro ponto, que está relacionado tanto à história quanto aos puzzles, apesar desse tipo de jogo, serem vitais os diálogos dos personagens, e que conversar com as pessoas certas, nos momentos certos, deve inclusive fazer parte dos puzzles. Na minha opinião, De Volta Para o Futuro: O Jogo. Abusa disso em muitos momentos, fazendo com que deixe de fazer parte da diversão conversar com os personagens e passe a ser maçante. Principalmente pelo fato de que, na maioria das vezes, pouco importa a ordem das frases que você dirá ao interlocutor, ou o que falará pra ele, as opções vão sumindo, até que você chega na correta, pra mim, é o ponto mais frustrante do jogo, depois da facilidade dos puzzles. O capítulo 3 e o 5, abusam muito disso, chegando alguns momentos a pensar que valia mais a pena que eles fizessem um filme em 3d, e deixassem a história rolando pra mim, pelo menos não teria que ficar clicando o mouse.

Falando em 3D, e aqui é um dos motivos por eu encarar esse jogo como nostálgico. Pra um jogo de 2010, só tenho uma palavra. Porco. Simples assim, eu não tenho necessidade de gráficos exuberantes, nem nada, acredito até que, se o jogo é bom e inovador, isso não faz a menor diferença. Mas acredito também, que a movimentação do personagem pelos cenários e principalmente a movimentação da câmera, poderia ser muito melhor, sem grandes esforços. Faltou capricho nisso aí. A modelagem dos personagens em si é bastante simples e que já estava datada antes mesmo de ter sido lançado. Mas com as dublagens caprichadíssimas, eles acabam ganhando até uma expressão que a modelagem não tem, e acaba passando despercebido.

Eu sou um fã da trilogia dos filmes De Volta Para o Futuro, desse estilo de filme de aventura, é o meu preferido. Então, com certeza a história e a diversão, que é a proposta da série, é com certeza o que mais levo em conta para avaliar De Volta Para o Futuro: O jogo.

Sou também um fã incondicional dos jogos point and click. E digo que esse é um dos que valem muito a pena. Um deslize aqui, outro ali, mas no geral, o saldo é bem positivo. Principalmente por resgatar uma história tão boa, e com tanto potencial, que infelizmente, ficou parada por tanto tempo.

Os easter eggs, para os fãs da série, e as piadinhas com muitos elementos de cultura pop, me arrancaram boas risadas. O cuidado com a dublagem dos personagens, escolhendo um ator com uma voz parecida com o Michael J. Fox, e trazendo o Christopher Lloyd para dublar o Doc. Me fizeram esquecer os problemas com a câmera e os gráficos.

A única coisa que realmente me deixou puto, foram alguns bugs, um deles é o seguinte: no primeiro capítulo, você pode escolher um nome, para o Marty em 1930, dentre algumas opções, e claro, escolhi Michael Corleone, e nos próximos capítulos o nome não se manteve, bobagem? Sim, mas porra, tão simples de se fazer. Agora o pior de todos é o seguinte,  eu fiz uma ação anterior ao objetivo no último capitulo, que me obrigou a começar o capítulo de novo, por causa de um bug. Então já vai um alerta, caso você vá jogar, quando chegar ao capítulo 5, procure no google, “back to the future glass house”, para não ter o mesmo problema que eu.

No fim das contas, mesmo que você seja um aventureiro experimentado, e ache os puzzles do jogo fáceis, acho que vale a pena vestir sua cueca Calvin Klein, embarcar no DeLorean e sair por essa aventura.