[Review] Cuphead

Era uma vez dois irmãos, Cuphead e Mugman. Eles viviam felizes na mágica Inkwell Isle, brincando e se divertindo sob os cuidados da sábia Elder Kattle. Certo dia, foram desobedientes e trilharam ao famigerado Cassino do Diabo e, numa maré de sorte, ganham diversas rodadas nos jogos. O próprio Diabo aparece na mesa onde os irmãos jogam fervorosamente e oferece algo arriscado: uma quantia astronômica de dinheiro, caso ganhem, ou suas almas, caso percam. Cuphead, totalmente cego pela ganância, joga sem pensar. Mugman fica apreensivo e não vê a conduta do irmão como uma boa ideia. O jovem garoto perde o jogo e os irmãos imploram de joelhos para que o Diabo lhes deem uma segunda chance. O Diabo aproveita a situação e dá a tarefa de os irmãos recuperarem as almas dos “contratos inadimplentes” feitos em Inkwell Isle. Sem opção, os irmãos iniciam uma árdua jornada em busca das almas devedoras do Diabo!

Essa história pseudo-infantil bizarra dá um contraste absurdo com o visual do jogo, que remete aos desenhos clássicos dos anos 1930. Porém, apesar do estilo artístico remeter aos desenhos infantis, o design de vários chefes é algo predominantemente adulto. Não no sentido pornográfico, mas sim de coisas “mundanas”, tais como charutos, apostas e afins. Os personagens mais infantis sempre possuem algum elemento macabro ou bizarro.

Cuphead fez um alarde imenso desde o seu anúncio. É, de longe, um dos jogos mais bonitos já feitos, com gráficos desenhados à mão, animação belíssima e arte inspirada. O belo visual dá um ânimo gigantesco para o jogador se aventurar por horas a fio naquele mundo repleto de fantasia e pactos demoníacos.

O jogo segue a premissa dos run and shoot, consagrados pelos clássicos Contra, Metal Slug e Gunstar Heroes, influências assumidas pelos produtores. O pulo dos personagens é idêntico ao do Contra, uma série de cambalhotas. A jogabilidade é a mais simples possível: pular, atirar, corrida estilo Megaman X para esquivar no chão e no ar. Também existe uma mecânica interessante, o parry, onde seu personagem pode quicar em elementos cor-de-rosa no cenário, bastando apertar o botão de pulo no momento da colisão. Isso é essencial em alguns momentos do jogo, tanto para evitar dano quanto para vencer os desafios. Alguns chefes serão enfrentados nos céus, com a ajuda de um aviãozinho, aí a jogabilidade muda um pouco, mas se mantém sólida e eficiente.

Quanto mais você acerta seus tiros, sua barra de especial vai enchendo. Ela é dividida em alguns níveis. Antes de estar completa, você pode gastar um nível para executar o ataque forte, que varia de acordo com o tiro escolhido para aquela fase. A barra completa executa o ataque especial.

Vale lembrar que, antes de cada fase, você anda num mapa muito simpático que dá acesso às fases e aos chefes. Ali você poderá conversar com alguns personagens, comprar novas habilidades e até coletar moedas escondidas. É aqui que você escolherá seus dois tiros, uma habilidade e um especial que utiliza todas as barras para ser executado. A escolha certa é muito importante em cada fase e chefe.

A premissa inicial de Cuphead incluía apenas batalhas contra chefes. Posteriormente, foram adicionados algumas poucas fases “normais”, que servem, principalmente, para que o jogador colete moedas e compre novas habilidades. Aqui vem um ponto interessantíssimo de game design.

Você poderá comprar habilidades diversas ao longo da jornada, seja novos tiros, seja habilidades especiais. Conforme dito anteriormente, essa variedade é muito importante para vencer os chefes. Dependendo do inimigo, é mais vantajoso utilizar tiros fortes e curtos ou tiros fracos e de longo alcance. Escolha corretamente, caso contrário a dificuldade do jogo, que já é alta, torna-se quase impossível.

Não podemos negligenciar destaque à parte sonora. Que músicas fantásticas! Todas no estilo daqueles desenhos clássicos, com muito piano, contrabaixo, metais, bateria nervosa, som levemente abafado com aquela estática deliciosa dos discos de vinil. Maravilhoso, sensacional, uma das coisas mais lindas deste jogo.

Cuphead teve uma produção difícil, mas finalmente veio à luz e se mostrou um baita jogo. O visual belíssimo é um excelente cartão de visitas para atrair os jogadores, e felizmente a qualidade vai além das aparências. Chefes criativos, fases inspiradas, variedade de padrões nas batalhas, tudo foi feito com tremendo carinho. Você aprenderá a cada morte, voltando a jogar rapidamente com a sensação de que “agora vai!”, e quando notar, já se passaram duas horas de jogatina. O StudioMDHR merece aplausos de pé, e espero que possam colher todos os louros possíveis para nos brindar com outros jogos. Uma obra de arte em forma de jogo. Compre no PC ou XBox One, jogue, passe raiva, se divirta! E lembrem-se crianças: jamais façam apostas com o Diabo!

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