Review | Mafia II

Após muita espera, oito anos para ser mais preciso, chegou às lojas no final de 2010 a continuação de Mafia. E como tudo que é muito aguardado, as chances de você se decepcionar são grandes. Infelizmente, Mafia II é um desses casos.

Nosso protagonista é Vito Scalleta, um imigrante italiano que chegou nos Estados Unidos ainda criança com seus pais durante os anos 30, período em que foi marcado pela forte imigração italiana no país em busca de uma nova perspectiva de vida, devido a crise que abateu o país desde sua unificação. O deslumbramento pela cidade acaba assim que chegam em seu bairro, um cortiço repleto de famílias italianas, todos a margem da sociedade americana, servindo apenas como força braçal.

Com o passar do tempo Vito percebe que sua família não prosperou, continuam na miséria, seu pai se tornou um bêbado e ele não vê perspectiva em sua vida, até conhecer Joe Barbaro, um ítalo-americano bonachão e simpático que faz pequenos roubos na cidade. Com o passar do tempo, Vito se junta a ele, até ser pego em um roubo de uma loja de joias. Invés de ser preso, Vito recebe a proposta de ser juntar ao exército americano na Itália, para derrubar as forças de Mussolini durante a Segunda Guerra Mundial. E assim, o jogo se inicia.

A primeira missão é curta, mas interessante, por ambientar o jogo durante a Segunda Grande Guerra. Vito acaba ferido em combate e retorna aos EUA para se recuperar do ferimento, mas tem previsão de volta. Ao chegar em sua cidade, Vito percebe que muita coisa mudou. Seu pai está morto, sua família endividada e Joe Barbaro se torna um homem de alguma influência, pois com algumas ligações, dá um jeito de fazer Vito não voltar para a Guerra.

Tudo isso ocorre no primeiro capítulo do jogo e a coisa vai bem até o meio dele, daí pro final se torna uma sucessão de acontecimentos sem muito embasamento. Em um momento apresentam um personagem, no outro matam, ou àqueles que você conheceu no início, simplesmente somem sem maiores explicações. As revelações não tem muito embasamento e falham enormemente onde deveriam ser fatos importantes para o desenrolar da história. As missões se tornam repetitivas e não acrescentam muito, quanto ao final? Melhor deixar pra lá.

Mas deixando a história de lado e falando da parte técnica, a começar pelos gráficos, esses sim são de encher os olhos. A cidade transpira vida, com suas luzes, carros e pessoas, seja durante as animações ou com o jogo rolando. A ambientação é extremamente bem feita com o clima da época, seja na cidade, nos carros e roupas de época, como até mesmo na linguagem das personagens. E isso vai se moldando com a mudança de década que ocorre no jogo.

O som é muito bem trabalhado, como já disse anteriormente, seja nas pessoas conversando na rua, como detalhes mínimos entre seus passos em dias de chuva, neve ou normais. A dublagem não peca e ajuda no carisma das personagens. Diferente do que foi falado por muitos, não gostei do rádio, apesar de ser todas músicas de época, achei que a seleção foi pequena e durante o jogo você ouve a mesma música milhões de vezes, porém, temos os comentaristas de rádio, que esses sim valem a pena, seja comentando sobre acontecimentos jornalísticos ou fatos engraçados. Se for para comentar do ponto forte do jogo, certamente são os gráficos e o som, os demais é ladeira abaixo.

A jogabilidade se mostra uma repetição das mesmas coisas. Mafia II é um sandbox que não tem nada para fazer no mundo além das missões propostas, é linear do início ao fim, o que não é ruim, mas porque fazer um mapa enorme com dezenas de pessoas se não há interação com elas? Veja bem, o único fator que pode motivá-lo a ir de um ponto a outro, sem ser cumprindo missões, é para comprar armas novas, roupas ou roubar algum outro carro, mas aí está outro problema do jogo, durante a história você fica pobre e perde sua casa e seus acessórios várias vezes, então porque você iria atrás disso tudo se perderia tudo alguns momentos depois?

As missões se resumem a você ir de um ponto ao outro no mapa, combate corpo-a-corpo, roubo de carros e trocas de tiros. Tem uma ou outra missão furtiva, a inteligência artificial dos inimigos é péssima, basta ficar atrás de alguma proteção que você não terá dificuldade em terminar o jogo. O ponto forte são umas poucas missões onde você deve se infiltrar sem ser notado, sendo que uma delas você precisa explodir um hotel. Bem interessante, mas são poucas, o restante se resume a dirigir seu carro (outro ponto frustrante) até a próxima missão, trocar tiros e repetir tudo novamente.

O fator replay não existe, como já disse, missões secundárias não existem, o único item colecionável são algumas revistas da Playboy que aparecem pelo caminho, mas só isso não basta. Um sandbox sem essa interação e com uma história ruim perde completamente o motivo de sua existência, principalmente depois de jogarmos Red Dead Redemption.