Review | Brothers: A Tale of Two Sons

Brothers é uma experiência interessante em diversos aspectos. Logo de cara, o jogo aparenta ser um conto de fadas infantil, com uma estética estilizada e amigável, cenários fantásticos protagonizados por dois jovens garotos. Todos os elementos formadores de uma corriqueira fábula para crianças. Aí vem a história propriamente dita que arrebata todas essas expectativas.

O pai de dois garotos, órfãos de mãe, está muito doente. Logo no início da trama, eles levam o pai até a casa de um homem bem idoso, que diz existir uma cura para a enfermidade. Com isso, os jovens irmãos partem em uma pequena grande jornada em busca deste remédio misterioso. O interessante é que todos os diálogos são em um idioma fictício, inexistindo legendas, o que torna a narrativa completamente visual. Tudo é explicado pelo contexto das situações e pela expressão corporal e tonalidade de voz dos personagens.

A história se passa em um mundo de fantasia medieval que não foge tanto dos padrões mais clássicos: muita natureza, animais e, claro, criaturas fantásticas. A parte artística é muito bonita, com bastantes detalhes, apesar de estilizados. Os gráficos são bem satisfatórios e utilizam a onipresente Unreal Engine de uma forma que otimiza bem a performance do jogo. Não raro são os jogos que possuem gráficos medianos, mas que exigem muito do PC para rodá-los, prejudicando a performance e fluidez – também há versões para XBox360 e PlayStation 3.

O maior destaque de Brothers é a jogabilidade. Você controla os dois irmãos ao mesmo tempo, utilizando os analógicos do joystick. O mais interessante é que o irmão mais novo é controlado no analógico da direita, que geralmente não é usado para movimentar os personagens nos jogos. De certa forma, isso cria uma pequena dificuldade que poderia ser interpretada como a própria imaturidade do caçula, que o torna mais desajeitado. Apesar disso, não há um irmão mais importante ou melhor que o outro. Ambos devem trabalhar juntos para superar cada obstáculo no decorrer do caminho. Os puzzles são quase todos baseados nesta mecânica de controle simultâneo dos garotos: enquanto o irmão mais velho ativa alavancas que demandam maior força física, o pequeno consegue se esgueirar entre grades estreitas. Há uma surpreendente variedade dos puzzles que, aliada à curta duração da história (em torno de 4 horas), impede que a jogatina se torne enjoativa.

O segundo ponto forte é a história. Ok, é simples, mas o tom infantil desaparece gradativamente, trazendo um contraste inusitado. A jornada se desenrola por cenários bem diversificados e termina de uma forma pouco previsível, com uma trilha sonora muito boa. Essa atmosfera diferente se deve, talvez, pelo fato de Brothers ter sido desenvolvido na Suécia. É um excelente jogo cooperativo de um só jogador, algo diferente que merece atenção.

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