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Review | Duke Nukem Forever

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A década de 90 foi o berço dos clássicos de FPS (first person shooters – jogos de tiro em 1ª pessoa). Em meio a Wolfeinstein 3D, Doom, Hexen e Quake apareceu um herói canastrão, desbocado, que só se preocupava em uma coisa: eliminar os aliens para salvar a mulherada. Originado de um jogo de plataforma, Duke Nukem 3D nasceu em 1996, trazendo conceitos novos aos FPS.

O que mais chamou a atenção foi o fato de o protagonista, além de matar os inimigos e resolver os puzzles, soltar frases irônicas e de baixo calão, curtir umas strippers e se vangloriar o tempo todo. O enorme carisma de Duke Nukem pegou em cheio os gamers de PC da década de 90, sendo um sucesso absurdo. Com isso, a 3D Realms, produtora do jogo, anunciou no ano seguinte a continuação dessa aventura: Duke Nukem Forever. Algumas fotos foram divulgadas e deixou os fãs malucos, de queixo caído, tamanha a qualidade gráfica para os padrões da época.

Em 1999 iniciou-se a produção, porém muita coisa deu errado: paralizaram, retomaram, cancelaram, voltaram, mudaram de produtora... tudo isso em meio a disputas judiciais e muita dor de cabeça. Mesmo com um trailer publicado em 2001 o game nunca se concluía. Tornou-se motivo de piada, quase uma lenda urbana, assim como o Chinese Democracy do Guns’n Roses. E o problema se agravou: o Guns’n Roses lançou o Chinese Democracy! Onde está Duke Nukem Forever?

Finalmente, em 2010, a Gearbox (criadora de Borderlands) assumiu a produção e anunciou o lançamento do game. Em 9 de julho de 2011, Duke Nukem Forever estava disponível no Steam, e logo após nos consoles XBox 360 e PS3.

“Nodoby steals our chicks... and lives!”

Duke salvou a Terra da invasão alienígena. Agora, ele desfruta de (muita) fama, (muito) dinheiro e (muitas, mas muitas) mulheres. Tudo estava indo bem até os malditos aliens voltarem ao nosso planeta. Mesmo o Presidente dos EUA ordenando que Duke não se envolvesse, ele se envolve. Afinal, os inimigos mexeram aonde não deviam: nas mulheres. O Rei está de volta!

“Come get some!”
A nostalgia já começa na abertura do jogo: uma retrospectiva em estilo HQ do que aconteceu em Duke Nukem 3D. Tudo ao som da excepcional música-tema, agora com novos arranjos e, claro, qualidade de áudio superior. A primeira fase também aquecerá o coração dos fãs, pois não é nada mais nada menos que o Stadium, com o gigante alien de um olho só atirando mísseis.

Após a batalha, retornamos à mansão de Duke, onde é possível perceber o enorme narcisismo do herói com dezenas de quadros e pôsteres dele mesmo. Fãs alucinadas em sua porta, crianças pedindo autógrafos em seu livro, enfim. Tudo muito divertido e canalha, como o loirão deve ser.

“Don’t have time to play with myself!”

Os primeiros problemas surgem na parte técnica do jogo. Os gráficos, apesar de legais, deixam a desejar em relação aos padrões atuais. Cenários muito quadrados, texturas em baixa definição, muitos serrilhados, loadings muito demorados e lentidão repentina são pontos que decepcionam. É nítido que a Gearbox pegou o que já estava pronto e tentou atualizar. O resultado final não é dos piores. Podemos dizer que é aceitável (se você não é um gamer tão exigente nesses quesitos). Já os personagens (aliens e humanos) estão bem-feitos, mas não perfeitos.

A parte sonora, sem dúvidas, é o ponto forte. O dublador Jon St. John refez diversas falas do Duke Nukem 3D, além de tantas outras inéditas. A trilha sonora está bem legal, muitas vezes deixando apenas os sons ambientes ou a música tocada no próprio local onde Duke se encontra. Juntamente com isso, os cenários estão bem interativos (a maioria são inutilidades). Jogue sinuca e pinball, faça musculação, dê uma mijada, desenhe na lousa e arremesse tudo que vir pela frente nos seus inimigos!

No multiplayer, temos as opções de Deathmatch (Duke Match), Team Deathmatch (Team Duke Match), Capture tle Flag (Capture the Babe) e King of the Hill (Hail to the King). O mais bizarro é que cada partida comporta, no máximo, 8 jogadores, quantidade ínfima para os padrões de hoje. Pelo menos os fãs terão uma surpresa: a fase Hollywood Holocaust, primeira do Duke Nukem 3D, está disponível no multiplayer, apesar de a qualidade gráfica dela parecer muito inferior às demais. Ah, agora é possível ver os pés de Duke, assim como na franquia F.E.A.R e outras.

“Say hello to my little friend!”

Armas. Muitas armas. Escopetas, pistolas, metralhadoras, lasers, lança-foquetes, raio encolhedor... as velhas conhecidas estão de volta com novo design, e outras foram adicionadas ao arsenal. Porém, só é possível carregar 2 armas por vez. Isso deixará alguns fãs tristes, mas aumenta o desafio e a realidade do jogo. Pode ter certeza, a dúvida mais constante do jogador não será nos puzzles, mas sim qual arma vai levar. Vale lembrar que o chute foi substituído pelo soco. Sim, agora Duke mete porrada! Se preferir, utilize suas amas para desferir uma violenta coronhada. O desafio aumenta porque cada inimigo é mais vulnerável a certos armamentos, e resistentes a outros. Portanto, atire com sabedoria e leve a artilharia certa em cada momento.

Mas nem só de armas vive um herói. Diversos itens estão à disposição para ajudá-lo na batalha: tome esteróides para aumentar a potência do soco e a velocidade da corrida; use o holograma para confundi-los; beba cerveja (!) para suportar mais dano (!!); e por ai vai. Combinando a arma certa com os itens corretos, as coisas ficam bem mais fáceis.

Talvez a maior mudança ocorreu em relação ao HP/Health/Life. Agora ele é chamado de Ego, denominação já utilizada em Duke Nukem: Manhattan Project, um jogo de plataforma bem legal. Nosso herói não utiliza os famosos medkits para recuperar sua energia (ou melhor, seu Ego). Basta esperar alguns momentos sem receber nenhum dano que o Ego se regenera. Além disso, é possível aumentar o Ego máximo fazendo musculação, jogando pinball, vendo pornografia e outras ações esdrúxulas. Não pense que isso facilitou o jogo, até porque Duke está muito mais vulnerável que antes, recebendo bastante dano em pouco tempo.

“It hurts to be you!”

Os inimigos clássicos retornam com novo design e mais agressividade. Os porcos alienígenas agora possuem variações, podendo usar escopeta, pistolas ou até porrada; de vez em quando Duke fará um duelo de força contra esses monstros. Os polvos mutantes atiram o famoso raio psíquico e usam seus poderes mentais para arremessar coisas em você. Alguns inimigos são gigantes, e muitos só recebem dano por mísseis e artilharias pesadas.

Essas variações obrigam o jogador e adotar táticas diferenciadas para cada inimigo, utilizando as armas apropriadas e cuidando para não ser atingido pelos tiros e golpes.

“My name’s Duke Nukem!”

Quem esperava o melhor jogo do mundo irá se decepcionar. “Mas foram 12 anos de produção!”, você diz. Não, foram 12 anos DESDE O INÍCIO da produção. Isso não significa que o game ficou em desenvolvimento durante todo esse tempo. Como já dito no início deste review, Duke Nukem Forever sofreu todos os empecilhos possíveis, e durante esse período a engine ficou defasada e algumas idéias também. A Gearbox se valeu de uma enorme colcha de retalhos e finalizou o jogo. Poderia ser muito melhor? Sem dúvidas. Entretanto, teriam que fazer a partir do zero. Com isso, levariam mais alguns anos...

Não é justo condenar tão ferrenhamente as falhas. Também não somos obrigados a engolir qualquer coisa, até porque o jogo não é de graça. Colocando na balança, considero o saldo positivo, pois ainda é possível saírem atualizações para corrigir diversos problemas – ainda mais que a versão de PC saiu pelo Steam. Sou um grande fã de Duke e me diverti muito chutando bundas de alienígenas ouvindo frases canalhas lá em 1996. Duke Nukem Forever é para quem deseja uma experiência parecida, mas com idéias novas e gráficos melhores. O jogo é bem divertido, mais pelo próprio Duke do que pelo jogo em si. Ou seja, quem não for pego pela nostalgia dificilmente gostará deste game. Irá odiá-lo ou dar uma nota abaixo da média. Para quem estava com saudades do herói, divirta-se.

Hail to the King, baby!

Almighty

Ainda moleque, descobriu a existência de bons livros, mesmo com a escola mostrando o contrário em suas leituras obrigatórias. Na adolescência, começou a ouvir heavy metal e posteriormente aprendeu que a boa música não se resume a esse (ótimo) estilo. Formado em Direito.
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